Elmord's Magic Valley

Software, lingüística e rock'n'roll. Sometimes in English.

(finish-output mestrado)

2018-01-30 22:27 -0200. Tags: life, academia, mestrado

Gandalf: "Excellent work, Frodo. You defeated Sauron and now... hm! Now everyone can have happy lives forever. Thanks to you."

Frodo: "I know. I just wish... I could forget."

The Lord Of The Rings (1944)flyingmoose.org

Leitouros e leitouras,

Pous que o infindável mestrado findou-se. Ainda falta a homologação da secretaria e da comissão da pós (e é por isso que é um finish-output e não um close), mas, tendo recebido o joinha da banca, orientadores e biblioteca, creio que só o que me resta agora é começar a rodar o garbage collector mental para desentupir o cérebro, e fazer a dança da vitória.

A monografia, para quem (insanamente) quiser ver, está aqui.

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Como usar o modelo LaTeX do INF/UFRGS para TCCs e afins

2015-06-26 01:16 -0300. Tags: comp, latex, academia

Salve! Como muita gente cai neste blog procurando pelos modelos LaTeX do INF/UFRGS, e eu parei de disponibilizar o meu "pack" em favor do repositório oficial, resolvi escrever um tutorial de como usar o modelo.

Instalando o LaTeX

GNU/Linux

Nas distribuições Debian, Ubuntu e afins, você pode instalar os pacotes do LaTeX com o comando:

sudo apt-get install texlive-latex-base texlive-lang-portuguese

Se você já possui o comando pdflatex, você já tem o LaTeX instalado e pode dispensar esse passo. Porém, é possível que você não tenha o pacote texlive-lang-portuguese, o que pode causar problemas como hifenação incorreta e strings na língua errada na capa do modelo e outras partes com texto pré-definido. Se isso acontecer, verifique se o pacote está instalado. Mesmo que o seu trabalho seja em inglês, o modelo pode não funcionar corretamente na ausência desse pacote.

Outros sistemas

É possível usar o LaTeX em outros sistemas operacionais, como o Windows, mas nunca fiz isso e não sei como é a experiência. Se alguém tiver alguma dica, deixe nos comentários.

ShareLaTeX, Overleaf

Uma outra opção é usar o ShareLaTeX.com ou o Overleaf, que são uma espécie de Google Docs para documentos LaTeX. A vantagem é que você não precisa instalar nada, e pode acessar de qualquer lugar. A desvantagem é que se o servidor do ShareLaTeX.com/Overleaf sair do ar você está ralado, então eu recomendo baixar regularmente o .zip com os arquivos para não correr esse risco. No caso do Overleaf, também é possível sincronizar o projeto com um repositório Git local.

Instalando o iiufrgs

O pacote iiufrgs, que contém os modelos do INF/UFRGS, fica disponível em um repositório do GitHub. Para baixá-lo, você pode clicar em Download ZIP na barra lateral da página, ou usar o comando git para clonar o repositório:

git clone https://github.com/schnorr/iiufrgs.git

A vantagem de usar o git é que você pode usar o comando git pull dentro do diretório do repositório para atualizá-lo.

Dentro do repositório, há um diretório inputs, que contém o pacote propriamente dito, e um diretório examples, que contém alguns documentos de exemplo.

Para usar o modelo, é necessário que os arquivos em inputs estejam no path do LaTeX. Há diversas maneiras de fazer isso:

That's it.

Preparando o documento

O diretório exemplos contém uma porção de (adivinhe só?) arquivos de exemplo para os diversos tipos de documentos:

Copie o arquivo apropriado para o diretório onde você vai colocar seu projeto LaTeX (que pode ser um diretório vazio qualquer que você criou, ou uma cópia do inputs caso tenha optado por não instalar o iiufrgs no local padrão, ou faça upload do arquivo de exemplo para o seu projeto no ShareLaTeX/Overleaf). Renomeie o arquivo se for do seu interesse.

Agora é necessário editar algumas partes do arquivo.

A linha \documentclass indica o tipo de documento a ser gerado. Ela tem a seguinte cara:

\documentclass[cic,tc]{iiufrgs}

Como você já copiou um documento de exemplo do tipo apropriado, a princípio você não tem que mexer nessa linha. Se seu documento for em inglês, adicione a opção english na linha:

\documentclass[cic,tc,english]{iiufrgs}

Há outras opções, que estão documentadas nos comentários do arquivo.

Como mencionado, não há um exemplo de Plano de Estudos e Pesquisa; para isso, use o arquivo ppgc-diss.tex e altere a opção diss para pep na linha \documentclass. Você provavelmente também vai querer apagar coisas como dedicatória e agradecimentos do documento.

As próximas coisas a alterar são a linha \title, que contém o título do trabalho, e \author, que contém o nome do autor. Essa linha tem o formato:

\author{último nome}{primeiro nome e nomes do meio}

A linha \advisor, que contém o nome do orientador, segue o mesmo formato, mas inclui também o título (Prof. Dr., por exemplo). Se houver um co-orientador, descomente a linha \coadvisor e preencha da mesma maneira.

Descomente a linha \location e preencha com a cidade e UF adequados (i.e.,

\location{Porto Alegre}{RS}

que por alguma razão não é o default nos arquivos de exemplo; go figure).

O documento possui uma série de linhas comentadas definindo comandos \nominataWhatever. Na segunda página do PDF gerado a partir do modelo, fica um quadrinho com os nomes dos responsáveis por diversos setores da universidade (reitor, bibliotecário-chefe, etc.). Confira no PDF se os nomes inclusos estão atualizados. Se algum não estiver correto, descomente a linha correspondente e substitua o nome. Note ainda que alguns títulos têm concordância de gênero (e.g., "Bibliotecário-chefe" vs. "Bibliotecária-chefe"), então lembre-se de ajustar a linha com o título do cargo também. Você pode descobrir quem é o bibliotecário/a-chefe atual no site da biblioteca do INF.

Mais adiante, há uma série de comandos \keyword; estas aparecem como palavras-chave do documento na página do resumo/abstract. Escolher as palavras-chave é uma arte esotérica e misteriosa; consulte seu orientador em caso de dúvida.

A próxima coisa a mudar é a "dedicatória", que costuma ser uma citação de sua preferência. Ela é opcional, mas é uma das partes mais divertidas de escrever a monografia anyway. Logo depois, vem a seção de agradecimentos, que também é opcional (or so they say).

Em seguida, vem o o bloco \begin{abstract}, onde vai o resumo na língua do documento. Não pode haver linhas em branco entre o fim do texto e o \end{abstract}; caso contrário, a compilação do documento dá um erro de "There's no line here to end". Go figure.

A seguir, vem o bloco \begin{englishabstract}{keyword1, keyword2, …}. Apesar do nome, o que vai nesse bloco é o resumo na outra língua: se a monografia for em português, aí vai o abstract em inglês; se a monografia for em inglês, aí vai o abstract em português. O segundo argumento do bloco é a lista de palavras-chave/keywords (as mesmas que você usou antes com os comandos \keyword, mas na outra língua). Também não pode haver linhas em branco antes do \end{englishabstract}.

A seguir, vem a lista de abreviaturas; confira as instruções nos comentários. Note, entretanto, que essa lista deveria estar em ordem alfabética, que eu saiba. Em seguida, há a lista de símbolos, que vem comentada por padrão, mas você pode descomentá-la e preenchê-la de maneira análoga se você usa algum símbolo matemático que requeira explicação no seu documento.

A seguir vêm os comandos \listoffigures, \listoftables e \tableofcontents, que geram automaticamente as respectivas listas. Você não precisa mexer nesses comandos.

Finalmente, vem o texto do documento propriamente dito. No documento de exemplo, há algumas instruções sobre citações, figuras e outros detalhes, que você pode (deve) ler, mas no final você deve apagar tudo desde o \chapter{Introdução} até logo antes do \bibliographystyle e substituir pelo conteúdo da sua monografia. Se você preferir criar arquivos separados para cada capítulo para se organizar, você pode usar o comando:

\input{arquivo.tex}

que é uma espécie de #include, que insere o conteúdo do arquivo especificado nesse ponto do documento. Você pode incluir arquivos em outros diretórios. Por exemplo, você pode criar um diretório capitulos e usar \input{capitulos/introducao.tex}.

A linha \bibliography{nome} diz o nome (sem a extensão) do arquivo onde estão suas referências bibliográficas (no formato BibTeX). Por exemplo, se a linha diz:

\bibliography{biblio}

então o LaTeX vai procurar as referências no arquivo biblio.bib.

Compilando o documento

Se você está usando o ShareLaTeX/Overleaf, tudo o que você tem que fazer é clicar no botão "faz". Há outras IDEs de edição de LaTeX com funcionalidades análogas. Se não é o seu caso, continue lendo.

O comando principal para compilação de documentos LaTeX é o pdflatex. A sintaxe básica é pdflatex arquivo.tex. Se a compilação for bem-sucedida, será gerado um arquivo.pdf com o resultado, bem como um arquivo.log com mensagens do LaTeX e outros arquivo.* usados internamente pelo LaTeX.

Se ocorrer um erro durante a compilação, por padrão o pdflatex cai em um prompt de depuração muito doido. Para sair do prompt, digite x e dê ENTER. Para evitar cair no prompt, use a opção -halt-on-error antes do nome do arquivo.

Outra opção útil é -file-line-error, que precede os erros com nome-do-arquivo:linha:. Alguns editores de texto, como Emacs e Vim, possuem funcionalidades para rodar um comando externo de compilação, coletar as mensagens de erro e saltar diretamente para a linha onde ocorreu o erro, desde que as mensagens de erro contenham a localização do erro em um formato reconhecido (que é o que essa opção faz).

O comando pdflatex realiza apenas uma passada pelo arquivo. Porém, coisas como gerar os números das páginas no índice e números de seção em referências requerem duas passadas pelo arquivo. Além disso, a geração de bibliografia requer a chamada do comando bibtex, e depois disso é necessário rodar o pdflatex novamente (mais duas vezes). O mais prático é escrever um Makefile para rodar todos esses comandos de uma vez. Crie um arquivo chamado Makefile com o seguinte conteúdo:

# As linhas 'export' só são necessárias se você optou por não instalar o
# iiufrgs em um local padrão e não colocar seu documento e os arquivos de
# 'inputs/' no mesmo diretório.
export TEXINPUTS = .:caminho-completo-do-diretório-inputs:
export BSTINPUTS = $(TEXINPUTS)
export BIBINPUTS = $(TEXINPUTS)

PDFLATEX = pdflatex -halt-on-error -file-line-error
FILENAME = nome-do-seu-documento-sem-a-extensão

all:
	$(PDFLATEX) $(FILENAME).tex
	$(PDFLATEX) $(FILENAME).tex
	bibtex $(FILENAME)
	$(PDFLATEX) $(FILENAME).tex
	$(PDFLATEX) $(FILENAME).tex

Note que as linhas indentadas devem ser precedidas de um caractere TAB, não de espaços. Note também que o bibtex recebe o nome do arquivo LaTeX (não o nome do arquivo de bibliografia), sem a extensão.

Feito isso, agora é só rodar make para compilar seu documento. No Vim, você pode usar o comando :make para compilar, e :copen para listar os erros encontrados. No Emacs, você pode usar M-x compile. (No latex-mode do Emacs também há um comando tex-compile, acessível via C-c C-c, que serve para compilar o documento, mas ele não vai usar o Makefile. Eu sou novo nestas terras do Emacs, então não sei bem como isso funciona. Também existe um modo mais avançado de edição de LaTeX chamado AUCTeX, mas não tenho experiência com ele.)

lastpage.sty

O iiufrgs usa um arquivo lastpage.sty para determinar o número da última página, que ele inclui no quadrinho CIP na segunda página do documento. Se você se deparou com o erro:

! LaTeX Error: File `lastpage.sty' not found.

você tem duas opções:

Bibliografia

A maneira normal de trabalhar com referências bibliográficas no LaTeX é através do BibTeX. O iiufrgs vem com um arquivo BibTeX de exemplo, biblio.bib, que aparentemente saiu da coleção pessoal de alguém e foi gerado pelo JabRef (pacote jabref no Debian/Ubuntu/etc), um gerenciador gráfico de bibliografias em BibTeX. Eu nunca usei o JabRef, mas se você gosta de ferramentas gráficas, pode querer experimentá-lo. Caso contrário, continue lendo.

O arquivo .bib é basicamente uma seqüência de entradas bibliográficas. Uma entrada tem mais ou menos essa cara:

@tipo-de-publicação{label-da-sua-escolha,
  title = {Título da Publicação},
  author = {Turing, Alan and Church, Alonzo and Gödel, Kurt},
  year = {2101},
  booktitle = {Proceedings of the 42nd Intergalactic Conference on Computability Theory},
  pages = {123--134},
  publisher = {ACM}
}

tipo-da-publicação é algo como article (artigo em journal), inproceedings (artigo de conferência), book (livro inteiro), incollection (capítulo de livro, quando o autor do capítulo é diferente do autor/editor do livro), electronic (publicação na Internet), ou uma infinidade de outras possibilidades. O tipo de publicação define os campos que podem aparecer dentro da entrada e o formato como ela aparece na bibliografia do PDF gerado.

label-da-sua-escolha é a label que você vai usar com os comandos \cite e afins.

BibTeX é um mundo à parte e eu não vou tentar explicar tudo o que há para explicar aqui; para mais informações, procure por "BibTeX" na Internet. Deixo, entretanto, algumas dicas:

Fim do conto

Acho que era isso. Em um post futuro, pode ser que eu escreva uma introduçãozinha aos comandos de formatação do LaTeX, mas com o que aparece no arquivo de exemplo já dá para se virar um pouco. Você pode dar uma olhada nos outros posts com a tag latex.

Dúvidas, sugestões e correções podem ser deixadas nos comentários.

[30/10/2015: Incluídas informações sobre o Overleaf.]

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Modelos LaTeX do INF/UFRGS

2014-10-22 17:06 -0200. Tags: latex, academia, mestrado

Update (23/03/2015): Utilize a versão mais atual do pacote iiufrgs.

Update (26/06/2015): Eis um tutorial de como usar o pacote iiufrgs.

(Os modelos que eu disponibilizava aqui are no more.)

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State of the life

2014-10-17 01:37 -0300. Tags: life, mind, academia, mestrado, home

As pessoas gostam de dizer que o tempo passa rápido. Eu nunca concordei com essa afirmação; para mim, um ano sempre levou um ano inteiro para passar. Mas esse ano em particular está se puxando em termos de neverendingness. Para futuras consultas, e para quem tiver interesse, deixo aqui um registro simplificado dos fatos.

Em janeiro deste ano, meu pai se mudou para um apartamento em Porto Alegre, e eu, que até então morava em uma casa alugada de solidez questionável, me mudei para a recém desocupada casa. Após uma série de acidentes vivenciosos, cuja enarração está fora do escopo deste livro, encontrei-me por volta de julho dividindo a casa com meu pai e minha irmã, compartilhando com esta última um quarto de 2×2,5m, e tendo que cuidar da mesma no período da tarde. Uma vez que essa obrigação conflitava com a necessidade de comparecer à UFRGS para a bolsa do mestrado e a essas alturas eu já estava perdendo as estribeiras, em uma última tentativa de salvar um pouco da minha sanidade mental, falei com meus orientadores sobre a possibilidade de trancar a matrícula. No fim das contas, ficou combinado que eu poderia continuar realizando as atividades do mestrado remotamente (já terminei todos os créditos necessários (que a partir deste ano são 12, e não 24), e agora só me restam o Trabalho Individual e a dissertação e atividades relacionadas), eu fiquei mui faceiro, e ficou por isso mesmo.

Evidentemente, isso não foi nada produtivo, dada a falta de sossego e de coisas como uma mesa decente e isolamento e o fato de eu passar constantemente estressado ou cansado ou deprimido. Nesse meio tempo eu descobri que é possível comprar casas super-barato nas verdejantes terras de Viamãoheimr se o camarada não se preocupar com trivialidades como escritura e terreno em área verde, e comecei a catar locais para me mudar para no ano que vem. Depois de umas três ou quatro visitas a locais de solidez ainda mais questionável do que a anteriormente citada casa e em localizações pra lá de interessantes, eu larguei de mão essa idéia e decidi esperar até o fim do ano (quando eu me livro da obrigação de cuidar da criança) para alugar uma casa e me mudar.

No dia 15 de setembro, quando eu estava considerando trancar a matrícula pela (n+1)-ésima vez, eu me dei conta de que se eu alugasse uma casa suficientemente perto eu não precisaria esperar até o fim do ano para me mudar; eu podia me mudar agora e só ir para a outra casa à tarde. Até então eu estava tão fixado na idéia de comprar uma casa que isso nem me passou pela cabeça. Catei casa para alugar nas redondezas e encontrei uma elegante peça de 3×5m mais um banheiro para alugar por meia pataca. A saga para conseguir alugar esse bendito imóvel é uma história à parte que eu hei de postar em algum momento para a elucidação de todos os seres sencientes. Suffice it to say que sexta-feira da semana passada eu consegui me mudar para o lugar, e que turns out que 15m² são um tamanho bem razoável se bem utilizado e quando não se tem que dividi-lo com ninguém.

A situação está um pouco melhor desde que eu me mudei para cá. Por outro lado, até o fim do ano eu continuo tendo que brincar de babá às tardes e em outros momentos de interesse, entre outros eventos que me levam a questionar se o conceito de respeito pelo tempo dos outros existe na cabeça da população em geral ou se é alguma flutuação da minha imaginação, mas eu vou levando, pois é só até o fim do ano, e depois disso eu espero me sentir mais confortável em dizer não diante de proposições equiparáveis.

Quanto ao mestrado, by now I'm pretty sure de que eu não quero seguir a carreira acadêmica e viver de publicar papers. Aparentemente é possível ganhar uns bons trocos dando aula em instituições privadas de ensino superior sem ter que fazer pesquisa, e por enquanto este é o meu plano para depois que eu terminar o mestrado. (Para a minha definição de "uns bons trocos", pelo menos. Certamente não tanto quanto um professor titular de universidade federal, mas a carga horária é menor também. Eu não tenho a necessidade de ganhar rios de dinheiro e, contanto que eu ganhe o suficiente para levar uma vida decente e guardar uns trocados, eu prefiro ter mais tempo do que mais dinheiro. Eu me sinto um pouco desconfortável dizendo isso para as pessoas, porque é basicamente uma admissão de vadiagem, mas should it matter, se eu estiver me mantendo com meu próprio dinheiro sem pedir nada para ninguém? Enfim.) Eu tenho tido dificuldade em me motivar a fazer as atividades do mestrado, mas eu tenho levado, e o prognóstico de terminar isso tudo e deixar para trás é bastante animador.

By the way, lembram quando eu manifestei minha descrença pela idéia de que as aulas do mestrado "não são mais do mesmo"? Hell was I right. As predicted, as aulas são much the same thing (pelo menos as que eu tive). A melhor cadeira que eu fiz no semestre foi Programação Funcional Avançada, que nem era do mestrado (foi a cadeira que eu escolhi para realizar a Atividade Didática). Algoritmos e Teoria da Computação foi bacaninha também (em particular a parte de Teoria da Computação), mas nada muito diferente de uma cadeira da graduação. De resto, o semestre foi tolerável primariamente graças aos pães do Hélio. Also as predicted, a variedade de cadeiras (ou falta de) também limita as possibilidades de pegar apenas cadeiras em tópicos de interesse; aliás, os horários das cadeiras do mestrado são um tanto quanto mal-distribuídos (não há praticamente nenhuma cadeira às 8h30, por exemplo), o que aumenta a possibilidade de conflitos de horários entre cadeiras (semestre passado eu tive que escolher entre uma cadeira de programação paralela e uma de tendências em engenharia de software por conta do conflito de horários, por exemplo); soma-se a esse problema o fato de que a maioria das cadeiras é oferecida em apenas um dos semestres do ano, e que recomenda-se fortemente aos alunos cursarem todas as disciplinas no primeiro ano do mestrado. On the bright side, esse ano o PPGC resolveu reduzir o número de créditos obrigatórios do mestrado para 12, o que permite realizá-los todos no primeiro semestre.

Also on the bright side, eu consegui (depois de muitas conturbações, primariamente na minha cabeça) escolher um tema de dissertação em um assunto que me interessa. Vai dar um baita trabalho para implementar, mas pelo menos eu vou aprender coisas pessoalmente úteis para mim no processo.

Do futuro, falamos depois.

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A madman and a scholar

2014-07-06 20:41 -0300. Tags: life, mind, academia, mestrado, ramble

Recentemente, conversando com algumas pessoas sobre o mestrado, eu disse, with varying wording, que eu ando meio pirado. Não era figura de linguagem: I meant every word of it. Se eu ainda não perdi totalmente as estribeiras, eu provavelmente devo isso primariamente à Julie Fowlis; eu ainda sou capaz de pôr ela (e a Mari Boine) nos agradecimentos da dissertação.

Semana passada eu tive uma prova, na qual eu sabia não ter ido muito bem. Quinta-feira à noite as notas foram divulgadas por e-mail, e a professora (doravante Professora I) informou que as provas ficariam na secretaria da pós-graduação para quem quisesse pegar, e que só estaria de volta à universidade na segunda. A minha nota estava tão vergonhosa que eu não estava nem a fim de ir pegar a prova. Na sexta, a outra professora da disciplina (doravante Professora II) divulgou os conceitos da disciplina; eu estava de recuperação. Apesar de estar chateado e todo perturbado das idéias, eu resolvi ir pegar a prova na secretaria e dar uma olhada, just to make sure. Turns out que a Professora I somou errado as notas das questões e me deu 2.5 ao invés de 25 em uma questão que valia 25. Se a nota tivesse sido calculada corretamente, eu não teria ficado de recuperação.

Mandei um e-mail para a Professora I sexta ao meio-dia, com um scan da prova. Não recebi resposta até o momento.

Nos últimos dois dias, eu tive três sonhos. (Isso dá uma idéia de quão regulares andam meus padrões de sono ultimamente.) No primeiro, eu estava discutindo loucamente com a Professora I tentando convencê-la sem sucesso de que a nota tinha sido calculada errada. No segundo, eu estava discutindo louca e veementemente com outro professor que queria me rodar por FF a qualquer custo por eu ter faltado a um dia de apresentações. O terceiro foi uma variação de um sonho recorrente, embora infreqüente, em que eu descubro no final do curso que eu não assisti a nenhuma aula da cadeira de Álgebra Linear (da graduação) ou alguma outra coisa math-related e vou ter que refazer a cadeira. Dessa vez o sonho foi mais elaborado e eu tinha mais alguma coisa para fazer depois de apresentar o TCC, mas a essas alturas eu já não lembro mais dos detalhes concretos.

Eu estou meio que urgentemente precisando de umas férias, que eu não terei porque (1) um certo professor, por conta das aulas perdidas por conta da copa (o semestre já não tinha começado mais cedo para compensar isso?), viagens no meio do semestre, aulas canceladas por motivos pessoais e ausência generalizada de cronograma, vai dar aula até além do fim do semestre (pode isso? claro que não; faz diferença? claro que não); (2) bolsista não tem férias. Segundo o pessimamente mal-escrito regulamento do PPGC, o bolsista tem direito a um mês de férias (por ano? na vida? assumindo um mês por ano, dá para emendar o mês de férias de 2014 e o de 2015? por que escrever direito se podemos deixar ambíguo e interpretar como quisermos depois?), mas elas têm que ser combinadas com antecedência com o orientador, e o caso é difícil de defender, porque eu nem fiz grande coisa como bolsista so far. Em qualquer caso, não vale a pena pedir férias agora por conta da cadeira mencionada.

Faz algum tempo que me admira o fato de que essencialmente o mesmo cérebro que servia ao cidadão cavernícola de vinte mil anos atrás também é capaz de absorver e ser bombardeado por quilos e quilos de informação com variáveis graus de abstração numa proporção supostamente muito maior hoje em dia do que então. Hoje isso me levou a duas reflexões: (1) De um lado, uma apreciação do fato de que a vida intelectual do cidadão cavernícola talvez não fosse tão simples assim; aliás, deixo-vos a conjectura (sem qualquer argumento, qualificação ou conhecimento para fazê-la) de que viver naquela época era tão difícil que, tendo-nos livrado de parte dessa complexidade graças a avanços tecnológicos (agricultura e etc.), quilos de poder de processamento foram liberados para as atividades intelectuais mais "elevadas" que realizamos hoje. (2) De outro lado, óbvio que isso ia dar merda, e é por isso que tem tanta gente pirada pelo mundo.

Por que eu estou falando disso? Porque nos últimos tempos eu ando meio overwhelmed com idéias e coisas que seriam interessantes de desenvolver e coisas que eu gostaria de ler e coisas que eu não gostaria tanto assim de ler mas que eu preciso ler para o mestrado e trabalhos para fazer, e eu estou em um ponto em que eu já não foco direito em coisa nenhuma; uma hora estou lendo um paper sobre dependent types, aí não termino de ler e estou lendo fragmentos arbitrários da documentação do Chicken Scheme, aí depois estou lendo sobre phase separation em Lisps, e aí estou escrevendo um leitor de S-expressions em C. (Isso foi um resumo do meu dia de ontem-anteontem (dado meus anteriormente mencionados padrões de sono, eu já não sei quando começou um dia e terminou outro).) Eu quero criar uma linguagem de programação e uma conlang e um sistema de escrita e uma máquina virtual e pensar sobre o problema da minha dissertação e eu não consigo me concentrar em nenhuma dessas coisas por qualquer quantidade decente de tempo nem parar de pensar nelas. Talvez eu estivesse precisando ficar uns dias sem olhar para um computador ou para quaisquer coisas acadêmicas e curtir a vida de outras formas. Não me ocorre nenhuma possibilidade de outras formas, entretanto, e eu me pergunto se eu estou fazendo alguma coisa muito errada com a minha vida. Adicione-se a isso uma prova para a qual enquanto eu estudava e lia os exercícios e as respostas no livro eu me perguntava: "Como é que eu ia pensar nisso? Será que eu sou incompetente? E tu ainda pretende fazer o doutorado?" Adicione-se a isso mil outros problemas que estão fora do escopo do discutível neste blog.

Querida Professora I: Responda o bendito e-mail. Boa noite.

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Esse tal de mestrado

2014-02-12 02:08 -0200. Tags: academia, mestrado

Eu pretendia quebrar os últimos três meses de ausência com um post sobre a vida, o universo e todas as coisas, mas esse post não está com cara de sair tão cedo. Ao invés disso, apresento-vos um post de utilidade pública sobre como funciona a inscrição e a matrícula no mestrado no Programa de Pós-Graduação em Computação (PPGC) do Instituto de Informática da UFRGS. Alguns aspectos do processo são um tanto quanto obscuros/mal-documentados, e eu mesmo estou descobrindo aos poucos como as coisas funcionam. Minha idéia inicial era esperar até eu ter "todas" as informações relevantes para escrever; porém, até lá eu provavelmente já vou ter esquecido de metade delas (e, more importantly, das dúvidas que eu tive no processo), então vou começar a escrever com o que eu sei. Correções e coisas que eu descobrir posteriormente serão adicionadas a este post ou publicadas em outros posts com a tag mestrado. (Sim, todas as outras tags do blog são em inglês, mas não estou nem aí. Tal é a minha maldade.)

DISCLAIMER: Este texto baseia-se na minha experiência ao ingressar no mestrado em 2014/1. As regras e procedimentos descritos podem mudar em anos subseqüentes. As competências redatoriais do autor são questionáveis. Use por sua conta e risco. Dito isso, espero que estas informações lhe possam ser úteis.

POSCOMP

O primeiro passo para o ingresso no mestrado é a realização do POSCOMP, uma espécie de vestibular da pós-graduação em computação usado por diversas universidades do país. O POSCOMP consiste de 70 questões objetivas (20 de Matemática, 30 de Fundamentos de Computação, e 20 de Tecnologias de Computação).

As inscrições para o POSCOMP ocorrem por volta de julho, e a prova é aplicada por volta de setembro. A matrícula para o mestrado abre depois da realização do POSCOMP. Cada instituição decide como vai usar o resultado do POSCOMP. No caso do PPGC/UFRGS, exige-se que o candidato ao mestrado tenha realizado o POSCOMP no ano da inscrição ou no ano anterior, e que tenha obtido uma pontuação superior à média nacional (que em 2013 foi 30,7). A pontuação do POSCOMP é um dos critérios utilizados na seleção dos candidatos. Além disso, as bolsas de mestrado são dadas aos candidatos com maior pontuação. (Em 2013, foram selecionados 61 candidatos, dos quais 30 receberam bolsa.)

Se você não tiver feito o POSCOMP e não quiser esperar até o ano seguinte para entrar, o que você pode fazer é se inscrever como Aluno Especial no PPGC e ir cursando algumas das cadeiras enquanto não faz o POSCOMP. Tendo feito o POSCOMP, você pode se inscrever para o mestrado e pedir reaproveitamento das cadeiras já cursadas. Alunos Especiais não recebem bolsa, todavia.

Provas anteriores

As provas anteriores e gabaritos estão disponíveis no site da SBC e do COPS/UEL (que tem sido responsável pela aplicação das provas nos últimos anos). As provas e gabaritos de 2012 e 2013 encontram-se exclusivamente no site da UEL. As provas de 2010 e 2011 encontram-se em ambos os sites. As provas de 2002 a 2009 encontram-se apenas no site da SBC.

As provas de 2011, 2012 e 2013 já vêm com as respostas marcadas em vermelho, o que atrapalha o estudo. A solução que eu encontrei foi converter as páginas dos PDF em imagens e extrair apenas o canal azul (que tem intensidade 100% no fundo branco da folha e 0% no resto; o verde também serviria), usando o ImageMagick (pacote imagemagick no Debian/Ubuntu):

for ((i=1; ; i++)); do
    convert -density 150 "blablabla.pdf[$i]" -colorspace RGB -channel B \
            -separate -quality 80 prova-%02d.jpg || break
done

(Teoricamente, dá para especificar um intervalo de páginas para o ImageMagick, mas, pelo menos na minha máquina, ele come quilos de memória e leva um horror de tempo quando eu faço isso.) As outras provas possuem uma versão sem respostas. (As de 2009 para trás só possuem a versão sem resposta, com o gabarito separado.)

CUIDADO: há os gabaritos provisórios (divulgados logo depois das provas) e os definitivos (corrigidos depois de os alunos terem entrado com recurso). Todo ano cerca de duas a quatro questões acabam sendo corrigidas ou anuladas. Certifique-se de estar usando um gabarito definitivo quando estiver estudando.

Inscrição no PPGC

As inscrições para o mestrado no PPGC são feitas pelo site do PPGC. O edital contém um bocado de informação sobre a inscrição. Aqui listo alguns pontos que me parecem dignos de observação.

Ao inscrever-se, você pode escolher até três linhas de pesquisa de seu interesse, em ordem de prioridade. A cada linha estão associados um ou mais professores. Você pode escolher os orientadores de sua preferência, em ordem de prioridade, ou escolher "Qualquer orientador" na linha de pesquisa. Para descobrir o que faz cada professor, você pode consultar suas informações na página do PPGC, suas páginas pessoais (normalmente linkadas na página do PPGC), a pesquisa de currículos da plataforma Lattes, e seu mecanismo de busca favorito. Tendo se informado sobre um professor, você pode mandar e-mail para o mesmo para trocar uma idéia. Esse processo de catar professores em áreas de interesse e entrar em contato com os mesmos pode ser um tanto quanto demorado, então não deixe para a última hora.

O PPGC tem um bocado de professores (por volta de 60), então mesmo que sua área de interesse não se encaixe direito em nenhuma das linhas de pesquisa "oficiais" do PPGC, é bem provável que haja algum professor que trabalhe com algo próximo ao seu interesse. Assim, é uma boa idéia pesquisar e entrar em contato com os professores antes de concluir a inscrição.

Na inscrição, será exigido um comprovante de que você concluiu ou está em vias de concluir a graduação. No caso exclusivo de alunos da UFRGS, um comprovante de matrícula demonstrando que você está inscrito no trabalho de graduação é suficiente. Na inscrição, também é pedido um bocado de informações sobre o seu curso de graduação que em teoria podem ser obtidos na página do MEC. O formulário de inscrição é bastante ambíguo quanto às informações requisitadas, e eu não tenho muito o que lhe dizer a esse respeito. No caso exclusivo de alunos da UFRGS, você só precisa adicionar o curso de graduação, mas pode deixar os dados do MEC em branco. DISCLAIMER: esse procedimento não está descrito em lugar nenhum; eu descobri indo perguntar na secretaria do PPGC. Sendo assim, nada garante que o procedimento continuará válido nos anos seguintes, então é fortemente recomendado entrar em contato com o PPGC para perguntar como proceder.

A inscrição recomenda que você tenha um currículo na plataforma Lattes. Adicionar todas as informações no currículo é um processo que pode ser bastante tedioso/demorado, então é recomendável fazer isso o quanto antes (você pode fazer isso a qualquer momento, ao invés de esperar o período de inscrições, por exemplo).

Encerrado o período de inscrições, dá-se o processo seletivo. Se você escolheu mais de uma área ou mais de um orientador, em princípio a ordem em que você os escolheu será respeitada. (Os professores têm um número limite de alunos que podem orientar, então pode ser que sua primeira opção não seja atendida por falta de vagas.) Pode ocorrer de professores entrarem em contato com você para discutir outras possibilidades. Se você optar por um orientador diferente daquele que lhe seria atribuído segundo a ordem das suas escolhas, você terá que conversar com este para resolver a questão. NÃO deixe para fazer essa negociação de última hora, achando que tem até o final do processo seletivo para decidir. Embora isso não esteja escrito em lugar nenhum, o processo seletivo (mesmo antes da primeira chamada de divulgação de selecionados) é dividido em duas partes: inicialmente os selecionados são atribuídos aos orientadores de sua preferência, segundo suas escolhas na inscrição e eventuais negociações; depois dessa seleção, há um período de "repescagem", em que os candidatos que sobraram podem ser atribuídos a outros orientadores, mas em que as escolhas feitas na inscrição não têm mais a mesma prioridade. As negociações devem idealmente ser feitas antes desse segundo período.

[História da minha vida: escolhi um professor A na área X como primeira opção, e a área Y como segunda opção. Minha primeira escolha foi atendida. Porém, no dia 26/11, um professor B da área Y me mandou um e-mail perguntando se eu tinha interesse em trabalhar com ele e quando eu tinha disponibilidade para conversar. Como eu estava ocupado com o TCC e a data da primeira chamada que constava no calendário do PPGC era 13/12, deixei para conversar com o professor B apenas no dia 03/12. Turns out que a primeira etapa da seleção ocorreria no dia 05/12, i.e., eu só teria mais um ou dois dias para resolver o assunto. Eu tive sorte de conseguir conversar com os professores e outros alunos do PPGC nesse período e conseguir me decidir em tempo, mas foi uma situação bastante corrida e bastante estressante. Moral da história: não deixe para a última hora. The calendar is a lie.]

Se você for selecionado, alguns dias após a chamada você receberá um e-mail solicitando a confirmação de interesse no curso. Você deve seguir o procedimento descrito no e-mail; caso contrário, considera-se que você desistiu da vaga.

Matrícula

Uma vez selecionado, você deverá fazer sua primeira matrícula, que ocorre por volta de fevereiro. A matrícula é feita pelo Portal do Aluno da UFRGS. As instruções de acesso lhe serão enviadas por e-mail pelo PPGC.

O mestrado consiste de 24 créditos. O tempo recomendado de realização do mestrado é de dois anos; o PPGC recomenda que os 24 créditos sejam obtidos no primeiro ano, deixando o segundo apenas para a realização da dissertação de mestrado. A disciplina/atividade "CMP401 - Trabalho Individual I" é obrigatória e confere 2 créditos. A disciplina/atividade "CMP410 - Atividade Didática I" é obrigatória para os alunos bolsistas e confere 1 crédito.

[Update (10/09/2016): O número de créditos do mestrado mudou para 12. O Trabalho Individual não é mais obrigatório. A Atividade Didática continua sendo obrigatória para alunos bolsistas. Isso serve como um lembrete de que o regulamento muda ocasionalmente, então é importante dar uma conferida no regulamento atual.]

Ao entrar no mestrado, você deve montar um Plano de Curso, que especifica que cadeiras você pretende fazer ao longo do curso e em que semestres pretende cursá-las. A maioria das disciplinas são oferecidas apenas no primeiro ou apenas no segundo semestre. A lista de disciplinas oferecidas pode ser encontrada no site do PPGC. O plano pode ser adaptado no futuro, no caso de haver alterações nas disciplinas disponibilizadas nos semestres futuros, ou no caso de as disciplinas que você escolheu conflitarem em horários, por exemplo.

A página da matrícula (que é comum a toda a UFRGS) é separada da página onde se submete o plano de curso (que é específica do PPGC, e é a mesma página onde você fez a inscrição para o mestrado). Na matrícula você seleciona apenas as cadeiras que pretende cursar no semestre corrente, enquanto no plano de curso você seleciona todas as cadeiras que pretende cursar no curso. Cabe a você fazer a matrícula consistente com o plano. Freqüentemente, a súmula do site do PPGC é menos detalhada do que a do site da matrícula. A vida tem dessas coisas.

Tanto a matrícula quanto o plano do curso devem ser aprovados pelo orientador para serem aceitos. Assim, convém falar com o mesmo antes de fazê-los.

Bolsa

A bolsa de mestrado atualmente é de R$ 1500 por mês. Ela é oferecida apenas aos alunos que cursarem o mestrado com dedicação exclusiva (i.e., não estiverem realizando outra atividade remunerada em paralelo). As bolsas, teoricamente em número limitado, são distribuídas pela ordem de colocação dos candidatos no POSCOMP. A partir de que mês a bolsa é paga e o processo burocrático para recebê-la são coisas que eu descreverei aqui assim que obtiver essas informações.

Miscelânea

Não existe entrevista na seleção para o mestrado. A entrevista existe para o doutorado (acho).

Você tem que escolher uma linha de pesquisa e um orientador na inscrição, mas não precisa ter um tema de mestrado definido já no começo.

Depois de inscrito no mestrado, você deve realizar um exame de proficiência (de leitura?) em língua estrangeira (a qual é necessariamente inglês), mas eu ainda não sei como isso funciona.

Se você acha que alguma outra informação deveria ser inclusa aqui, deixe um comentário.

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Qué voy a ser, je ne sais plus

2013-01-11 04:03 -0200. Tags: life, rant, academia

(For your enlightening. Midnight rant follows.)

Tendo terminado hoje a "prova" de Tópicos X (embora ainda não a tenha enviado), termina para mim para todos os fins práticos o semestre de 2012/2. Tópicos Especiais em Computação X, a.k.a. Grandes Desafios da Computação, é uma cadeira de 2 créditos que visa apresentar diversas áreas de pesquisa em Ciência da Computação. A maior parte das aulas consiste de uma palestra dada por um professor sobre sua área de pesquisa, no que ela consiste e quais são os desafios atuais que ela tem para resolver, além de dar uma idéia de como funciona a pós-graduação. Em uma dessas aulas, um professor mencionou (com uma certa ênfase) que a pós-graduação "não é mais do mesmo", que a dinâmica das aulas é diferente, que os alunos têm um papel muito mais ativo do que na graduação.

A primeira reação que eu tive diante disso foi uma boa dose de descrença. Talvez alguns professores dêem boas aulas, e os alunos desempenhe um papel mais ativo e autônomo, mas desconfio seriamente que com muitos professores a coisa não seja bem assim.

By the way, quem falou em autônomo? Isso aí brotou da minha cabecinha não-categorial. Só porque os alunos são mais ativos, não quer dizer que eles tenham algum poder de decisão sobre o que aprendem. Disse ainda o camarada palestrante que como não há cadeiras obrigatórias no mestrado, o aluno pode escolher fazer cadeiras apenas nas áreas que lhe interessam. Porém, no caso das cadeiras eletivas da graduação, os fatos de (1) haver um número mínimo de créditos eletivos obrigatórios, (2) não haver cadeiras suficientes em determinados tópicos, e (3) diversas cadeiras existirem apenas "para inglês ver", não sendo oferecidas em nenhum semestre na prática, significam que no geral é inviável fazer todas as eletivas em assuntos de interesse, e não vejo por que isso seria diferente no mestrado.

O segundo pensamento que me ocorreu é, se o mestrado é toda essa maravilha, por que diabos a graduação não é? É para filtrar dos reles mortais os poucos que têm saco de aturar a graduação inteira e ainda têm ânimo de continuar na academia? É por falta de professores (assumindo que uma melhoria exigisse turmas menores, como são no mestrado, proposição da qual eu duvido)? Porque "sempre foi assim"? Porque no final das contas o objetivo da graduação é produzir um diploma que dá ao camarada o direito de ser empregado em lugares que pagam melhor, e não adquirir e construir conhecimento? Todas as alternativas acima?

É nessas horas que eu me pergunto se vale a pena seguir a vida acadêmica. Meu objetivo inicial, logo que eu entrei nesse curso, era me tornar professor e viver uma vida feliz e contente dando aula e fazendo pesquisa. O curso começou a ficar menos-que-excelente pelo terceiro semestre, e lá pelo sexto ou sétimo eu já estava de saco cheio o suficiente para ter vontade de largar a faculdade. Muita gente que eu conheço encheu o saco bem antes; o que me sustentou nesse tempo foi primariamente o fato de que eu me interesso realmente muito por Ciência da Computação, e leio sobre coisas que me interessam fora do curso, o que mantém meu "amor à arte" firme e forte, apesar do curso. Felizmente a parte mais maçante do curso já se foi, e agora só me restam 6 créditos eletivos por fazer (ou 8, se o professor de Tópicos X não gostar das minhas respostas, já que a prova não é lá muito objetiva*) e o TCC (que é trabalhoso, mas pelo menos eu arranjei um assunto que me interessa para fazer ele sobre (e que venha o monstro da gramática me devorar)).

Como se não bastassem os horrores da graduação para desmotivar o sujeito, eu vejo por aí coisas do tipo:

Basically everyone who gets tenure, including me, finds him/herself continuing to get busier every year. Not only do the demands on our time increase, but we can no longer fall back on the convenient selfish excuse “sorry—can’t possibly do that time consuming task while I’m on the tenure track.” The constantly overloaded TODO list gets old, and it also makes it hard to get actual research done. It’s no coincidence that a lot of tenured professors rely on students to do all of the technical work associated with their research programs. Untenured professors not only have more time to do research but also may be reluctant to risk their careers by putting students on too many critical paths.

Life After Tenure (ênfase minha)

Mais de uma vez eu já li ou ouvi relatos de que os encargos administrativos de um professor tomam tempo suficiente para atapalhar a "pesquisa de verdade". E aí reside um baita de um problema, porque se eu tiver que escolher entre ser professor e desenvolver software, eu prefiro desenvolver software. Na minha concepção inicial do universo, eu não teria que escolher, mas parece que minhas suposições podem estar erradas. Je ne sais plus.

* Appendix A: De como eu saí da Letras

(Não, isso não tem nada a ver com o resto do post.)

Para quem não sabe, antes de entrar para a Ciência da Computação (em 2009) eu cursei um semestre e meio de Letras. Os motivos para isso foram meu interesse por lingüística e a ausência de um curso específico de lingüística em uma faculdade próxima (a faculdade mais próxima com um curso de Lingüística é a Unicamp), o fato de que eu estava de saco cheio de computadores (primariamente porque eu tinha zilhões de problemas com computadores na época, primariamente porque eu tinha uma máquina extremamente capenga, mas também porque viviam me alugando para resolver problemas), e o fato de que eu estava de saco cheio de matemática (graças a um curso de iniciação científica oferecido pelo IMPA para os primeiros dez bilhões de colocados na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas, o qual eu abandonei depois de três meses, embora eu estivesse sendo pago para participar). Quaisquer que tenham sido os motivos, eu tomei a decisão de fazer o curso de "Letras – Tradutor Português e Japonês" (porque foi a língua que me pareceu lingüisticamente mais interessante, e não porque eu gosto de animê e mangá, como aparentemente era o caso de todos os outros (cerca de oito) alunos).

Embora algumas cadeiras fossem insuportáveis (e.g., Leitura e Produção Textual), algumas cadeiras eram muito legais (Conceitos Básicos de Lingüística, Japonês I), e embora historicamente eu detestasse de coração o estudo de literatura que se faz no ensino fundamental/médio, até as cadeiras de literatura estavam interessantes.

Até que chegou a primeira prova de Literatura Brasileira A. Eu fiz a bendita prova e tirei um C. Nesse momento eu contemplei a prova, mirei as respostas, e me dei conta de que eu não fazia a menor idéia de por que eu tinha tirado um C, ou o que eu poderia ter respondido diferente para tirar uma nota melhor. Nesse momento eu me dei conta de que se eu não era capaz de determinar o que estava "errado" na prova, meu desempenho no resto do curso provavelmente seria a mesma coisa, já que responder "certo" parecia exigir uma habilidade mágica que não só eu não tinha, como sequer compreendia a natureza da mesma. Nesse momento eu tive um profundo insight: "Que diabos eu estou fazendo aqui?!"

(Fora que o conteúdo de lingüística do curso é um quase nada.)

E foi assim que eu não fiz a segunda prova de Literatura Brasileira A (embora tenha ido às aulas), terminei as outras cadeiras decentemente, no semestre seguinte peguei apenas quatro cadeiras (incluindo uma eletiva, nenhuma relacionada a literatura), larguei todas em setembro para me mudar temporariamente para a casa da minha mãe e estudar para o vestibular, e no ano seguinte entrei para a Ciência da Computação, onde, se muitas das cadeiras são terrivelmente maçantes, pelo menos os critérios de avaliação são largamente objetivos.

Post scriptum

O vídeo linkado diz "que voy a hacer" ao invés de "qué voy a ser". Nunca tinha me ocorrido essa interpretação (acentuação notwithstanding). Mas camarada Google diz:

E no entanto os primeiros sites retornados por uma pesquisa por manu chao me gustas tu lyrics favorecem o "que voy a hacer". E agora?

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