Elmord's Magic Valley

Software, lingüística e rock'n'roll. Sometimes in English.

#123

2013-05-02 23:20 -0300. Tags: random, life, mind, ramble

Caro mundo,

Ao invés de estar aproveitando meu tempo de uma maneira produtiva, resolvi passar o final do meu dia lendo o Hyperbole and a Half desde o primeiro post. Por mais improdutivo que seja, não posso dizer que foi uma má decisão. Além disso, ler certas coisas me fez pensar que morar nessa casa com o chão todo torto e que está começando a ficar úmido com a proximidade do inverno e que em breve vai começar a verter água, ao mesmo tempo em que caracóis começam a invadir a casa, até que não é algo tão ruim assim. O tempo está com cara de tempestade iminente, o que significa que meu 3G vai começar a se arrastar como os recém-mencionados caracóis, o que pode dificultar minha continuada leitura do recém-mencionado blog, mas enfim. (A concretização da tempestade, por sua vez, pode levar à falta de luz na rua em que se localiza a recém-mencionada residência pela qual eu acabo de expressar renovado apreço, rua esta com uma infraestrutura elétrica menos que invejável. Mas enfim. O tempo está bonito, pelo menos.)

(As a sidenote, se por acaso alguém estiver preocupado com o sumiço da Allie no final de 2011, saiba que ela deu sinais de vida no Reddit em março de 2012. Eu fiquei contente quando encontrei isso, anyway. [Update: She's back! Good timing, huh?])

(Como se diz "sidenote" em português? "Preterlóquio?" (Estou surpreso pela total ausência de resultados na minha busca no Google por "preterlóquio". Considerem a palavra criada (ainda que, talvez, não necessariamente com o mesmo exato sentido).))

Mas não é sobre nada disso que eu vim falar hoje. O que eu vim falar aqui originalmente é sobre o design de shells. Lembram que eu escrevi um post quatro meses atrás dizendo que estava querendo escrever um shell? Pois bem, obviamente eu não fiz isso, mas nesse meio tempo eu tive idéias. (Se me pagassem para ter idéias de software de aplicabilidade questionável eu estaria com a vida ganha. Ou não.) Na verdade eu agora fui olhar o respectivo post e descobri que ele é muito maior do que eu me lembrava, de tal maneira que eu já nem sei se vale a pena escrever outro post sobre o assunto. Quem sabe assim eu resolvo criar vergonha na cara e de fato implementar as idéias, ao invés de ficar discutindo o quão fantasticamente legais elas são. Na verdade meu objetivo original era pedir sugestões, então talvez até houvesse um ponto em escrever o post, mas não sei mais. Se alguém quiser dar sugestões anyway, sinta-se à vontade.

Ao invés disso, eu vou falar de outra coisa: vou falar do fato de que os seres humanos se acostumam com as coisas e com o tempo passam a perceber qualquer situação em que se encontrem como algo dado e corriqueiro. Não, isso não é novidade nenhuma; você já se acostumou com essa idéia também. Mas às vezes o módulo de assumptions da minha cabeça tem um lapso de funcionamento e eu tenho um choque de realidade. Por exemplo, estava eu hoje à tarde debruçado sobre a mesa da sala da monitoria tentando dormir (já que normalmente não aparece ninguém lá para pedir ajuda e é difícil fazer qualquer coisa produtiva por lá, pois é difícil se concentrar com o barulho (mas não dormir, you see (embora eu não tenha conseguido dormir de fato (so far este blog contém 1083 pares de parênteses, por sinal, sem contar trechos de código entre tags PRE, mas isso não vem ao caso no momento)))). Sem sucesso em minha tentativa de dormir, levanto e resolvo sair para ir ao banheiro (leia-se: pretexto para caminhar um pouco). Em um estado semi-acordado, começo a andar pelo corredor para a rua. Nesse momento eu olho ao redor e penso: "WTF? I'm in the fucking Instituto de Informática? Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul? Que viagem!" Não só estou no fucking Instituto de Informática, como também no final do curso. Especificamente, o curso termina em dois meses se eu me pilhar de terminar o TCC neste semestre (estrategicamente, entretanto, isso não tem vantagem nenhuma; é um semestre de RU a menos). How mad is that? E ainda por cima eu estou morando sozinho? Eu tenho uma casa só pra mim? Sou eu que pago as contas? Eu posso fazer whatever the hell I please da minha vida? Por que diabos ninguém tinha me contado isso antes?

E é isso, galera. A moral é que às vezes a gente precisa de uns tapas na cabeça para ela ir para o lugar certo. (Não digo "voltar para o lugar certo" porque às vezes ela nunca esteve no lugar certo.) Agora, se vocês me permitem, eu vou continuar lendo Hyperbole and a Half até dormir em cima do teclado, já que eu descobri há meia hora atrás que não vou ter aula amanhã.

Comentários / Comments (5)

outro leitor, 2013-05-04 19:26:24 -0300 #

Jamais vu?


Alguém bem pequenininha, 2013-05-04 21:22:31 -0300 #

A gente conforme cresce, perde a capacidade de se surpreender com o mundo, com a vida. Não sei bem o motivo disso, mas seria genial poder recuperar esses pequenos momentos e tê-los com mais frequencia. Crianças sabem o que fazem, algumas vezes ^^


Marcus Aurelius, 2013-05-05 03:18:48 -0300 #

Sobre poder fazer whatever the hell one pleases da sua própria vida, a primeira coisa que me veio à cabeça não foi ter grandes aventuras. Foi isto:

http://24.media.tumblr.com/tumblr_mb6sanTwSy1r6e5b5o1_500.jpg


Vítor De Araújo, 2013-05-05 14:38:53 -0300 #

@outro leitor: Hmm, mais ou menos. Mas é mais "realization" do que estranhamento...

@Alguém bem pequenininha: Crianças sabem o que fazem uns 80% do tempo (que é mais do que muito adulto :P)...

@Marcus Aurelius: Isso é mais ou menos o que eu estive fazendo até agora. :P


Vítor De Araújo, 2013-05-06 04:38:34 -0300 #

Blé, mais um webcomic pra comer meu tempo útil. Vai pra sidebar também. :P


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