Elmord's Magic Valley

Software, lingüística e rock'n'roll. Sometimes in English.

A madman and a scholar

2014-07-06 20:41 -0300. Tags: life, mind, academia, mestrado, ramble

Recentemente, conversando com algumas pessoas sobre o mestrado, eu disse, with varying wording, que eu ando meio pirado. Não era figura de linguagem: I meant every word of it. Se eu ainda não perdi totalmente as estribeiras, eu provavelmente devo isso primariamente à Julie Fowlis; eu ainda sou capaz de pôr ela (e a Mari Boine) nos agradecimentos da dissertação.

Semana passada eu tive uma prova, na qual eu sabia não ter ido muito bem. Quinta-feira à noite as notas foram divulgadas por e-mail, e a professora (doravante Professora I) informou que as provas ficariam na secretaria da pós-graduação para quem quisesse pegar, e que só estaria de volta à universidade na segunda. A minha nota estava tão vergonhosa que eu não estava nem a fim de ir pegar a prova. Na sexta, a outra professora da disciplina (doravante Professora II) divulgou os conceitos da disciplina; eu estava de recuperação. Apesar de estar chateado e todo perturbado das idéias, eu resolvi ir pegar a prova na secretaria e dar uma olhada, just to make sure. Turns out que a Professora I somou errado as notas das questões e me deu 2.5 ao invés de 25 em uma questão que valia 25. Se a nota tivesse sido calculada corretamente, eu não teria ficado de recuperação.

Mandei um e-mail para a Professora I sexta ao meio-dia, com um scan da prova. Não recebi resposta até o momento.

Nos últimos dois dias, eu tive três sonhos. (Isso dá uma idéia de quão regulares andam meus padrões de sono ultimamente.) No primeiro, eu estava discutindo loucamente com a Professora I tentando convencê-la sem sucesso de que a nota tinha sido calculada errada. No segundo, eu estava discutindo louca e veementemente com outro professor que queria me rodar por FF a qualquer custo por eu ter faltado a um dia de apresentações. O terceiro foi uma variação de um sonho recorrente, embora infreqüente, em que eu descubro no final do curso que eu não assisti a nenhuma aula da cadeira de Álgebra Linear (da graduação) ou alguma outra coisa math-related e vou ter que refazer a cadeira. Dessa vez o sonho foi mais elaborado e eu tinha mais alguma coisa para fazer depois de apresentar o TCC, mas a essas alturas eu já não lembro mais dos detalhes concretos.

Eu estou meio que urgentemente precisando de umas férias, que eu não terei porque (1) um certo professor, por conta das aulas perdidas por conta da copa (o semestre já não tinha começado mais cedo para compensar isso?), viagens no meio do semestre, aulas canceladas por motivos pessoais e ausência generalizada de cronograma, vai dar aula até além do fim do semestre (pode isso? claro que não; faz diferença? claro que não); (2) bolsista não tem férias. Segundo o pessimamente mal-escrito regulamento do PPGC, o bolsista tem direito a um mês de férias (por ano? na vida? assumindo um mês por ano, dá para emendar o mês de férias de 2014 e o de 2015? por que escrever direito se podemos deixar ambíguo e interpretar como quisermos depois?), mas elas têm que ser combinadas com antecedência com o orientador, e o caso é difícil de defender, porque eu nem fiz grande coisa como bolsista so far. Em qualquer caso, não vale a pena pedir férias agora por conta da cadeira mencionada.

Faz algum tempo que me admira o fato de que essencialmente o mesmo cérebro que servia ao cidadão cavernícola de vinte mil anos atrás também é capaz de absorver e ser bombardeado por quilos e quilos de informação com variáveis graus de abstração numa proporção supostamente muito maior hoje em dia do que então. Hoje isso me levou a duas reflexões: (1) De um lado, uma apreciação do fato de que a vida intelectual do cidadão cavernícola talvez não fosse tão simples assim; aliás, deixo-vos a conjectura (sem qualquer argumento, qualificação ou conhecimento para fazê-la) de que viver naquela época era tão difícil que, tendo-nos livrado de parte dessa complexidade graças a avanços tecnológicos (agricultura e etc.), quilos de poder de processamento foram liberados para as atividades intelectuais mais "elevadas" que realizamos hoje. (2) De outro lado, óbvio que isso ia dar merda, e é por isso que tem tanta gente pirada pelo mundo.

Por que eu estou falando disso? Porque nos últimos tempos eu ando meio overwhelmed com idéias e coisas que seriam interessantes de desenvolver e coisas que eu gostaria de ler e coisas que eu não gostaria tanto assim de ler mas que eu preciso ler para o mestrado e trabalhos para fazer, e eu estou em um ponto em que eu já não foco direito em coisa nenhuma; uma hora estou lendo um paper sobre dependent types, aí não termino de ler e estou lendo fragmentos arbitrários da documentação do Chicken Scheme, aí depois estou lendo sobre phase separation em Lisps, e aí estou escrevendo um leitor de S-expressions em C. (Isso foi um resumo do meu dia de ontem-anteontem (dado meus anteriormente mencionados padrões de sono, eu já não sei quando começou um dia e terminou outro).) Eu quero criar uma linguagem de programação e uma conlang e um sistema de escrita e uma máquina virtual e pensar sobre o problema da minha dissertação e eu não consigo me concentrar em nenhuma dessas coisas por qualquer quantidade decente de tempo nem parar de pensar nelas. Talvez eu estivesse precisando ficar uns dias sem olhar para um computador ou para quaisquer coisas acadêmicas e curtir a vida de outras formas. Não me ocorre nenhuma possibilidade de outras formas, entretanto, e eu me pergunto se eu estou fazendo alguma coisa muito errada com a minha vida. Adicione-se a isso uma prova para a qual enquanto eu estudava e lia os exercícios e as respostas no livro eu me perguntava: "Como é que eu ia pensar nisso? Será que eu sou incompetente? E tu ainda pretende fazer o doutorado?" Adicione-se a isso mil outros problemas que estão fora do escopo do discutível neste blog.

Querida Professora I: Responda o bendito e-mail. Boa noite.

Comentários (7)

Frodo, 2014-07-07 01:06:53 -0300 #

Escreve os projetos que tu tem que não estão relacionados com o mestrado e faz essas coisas depois que tu terminar esta coisa.
Começa a fazer exercícios físicos.
Saia na quinta-feira.

P.S.: "Por que que tu não dá um doisinho?"


Cayo, 2014-07-16 09:47:38 -0300 #

Tô meio na mesma, mas em vez de fazer várias coisas eu não tenho conseguido fazer nada. E o que me mantém não são as elfas flautistas mas o cara de peruca https://www.youtube.com/watch?v=N2YMSt3yfko https://www.youtube.com/watch?v=fCVaT1P1WT0 E a minha vida não inclui nada chamado "Chicken Scheme", o que é lamentável.


Cayo, 2014-07-16 09:48:33 -0300 #

(Aff, eu tinha escrito "o que me mantém são não são..." e depois apaguei o primeiro "são" achando q era erro.)


Vítor De Araújo, 2014-07-16 19:16:57 -0300 #

@Cayo: Como é ano de eleição, vou aproveitar para prometer (de novo) implementar um "undo comment" no blog se eu for eleito rei do mundo.

Antes eu conseguisse fazer várias coisas; eu só tenho feito vários fragmentos de coisas. :P

By the way, Chicken Scheme de fato é uma coisa muito bella e própria, a tal ponto de eu estar me vendo inclinado a usá-lo ao invés de Common Lisp para programas que eu pretenda que sejam usáveis por outras pessoas.

P.S.: let icelandic = intersperse 'ð'

P.P.S.: Feliz aniversário, caraaa!


hash, 2014-07-22 17:47:43 -0300 #

Sério que você quer criar uma conlang e um sistema de escrita‽ Já tem alguma ideia de como eles vão ser ou pelo menos do que eles vão ter de diferente?


Vítor De Araújo, 2014-07-22 18:43:01 -0300 #

@hash: Eu publiquei um sketch básico da conlang na CONLANG Mailing List há uns tempos atrás. A coisa não evoluiu muito desde lá:

https://listserv.brown.edu/archives/cgi-bin/wa?A2=ind1310C&L=CONLANG&P=R3776&I=-3&d=No+Match%3BMatch%3BMatches

https://listserv.brown.edu/archives/cgi-bin/wa?A2=ind1401D&L=CONLANG&P=R191&I=-3&d=No+Match%3BMatch%3BMatches

Quanto ao sistema de escrita, ainda não tenho nada muito concreto, e por hora o projeto vai ficar engavetado mesmo.

Obrigado pelo interesse! :)


Piranha, 2014-07-28 19:43:12 -0300 #

Me atualizei no teu blog. Questão é que nessa quarta é o último deadline (sim, tivemos mais do que um) de um trabalho master fodástico... Aí acho que a vida se organiza... Acho que o mestrado serve pra testar as pessoas se elas realmente querem fazer um doutorado, porque, verdade seja dita, me parece que todos querem que tu faça algo que tu não quer fazer. Onde "tu" é um tu genérico que esteja fazendo mestrado. Kill them all =DDDD


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