Elmord's Magic Valley

Software, lingüística e rock'n'roll. Sometimes in English.

Learn Not Not to Speak Esperanto

2013-07-06 23:18 -0300. Tags: lang, conlang, esperanto

Caros seres,

Por falta de coisa melhor para fazer com a minha vida, resolvi fazer algo que eu queria fazer há uns sete anos e escrever uma crítica a uma famosa crítica ao esperanto chamada Learn Not to Speak Esperanto.

Ainda não revisei o texto direito, e o HTML ainda está meio capenga. Quaisquer erros (fora o HTML) e sugestões podem ser reportados nos comentários deste post. Por precaução, gostaria que me dessem uma semana para revisar o texto antes de divulgarem links por aí. Feedback é bem-vindo.

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Diru tuj, kiom estas la batalpovo de Kakarotto?

2013-04-28 23:52 -0300. Tags: esperanto, random, img

Estas pli ol ok mil!!!

Não, eu não tenho nada melhor para fazer (um TCC, por exemplo).

[P.S.: Tecnicamente era para ter um "ĝi" no começo da frase, eu suponho, mas não teria o mesmo impacto.]

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Zamenhofa Tago

2012-12-15 14:01 -0200. Tags: esperanto, img, random

Feliz Zamenhofa Tago para todos.

[Zamenhof meme: 125 jaroj pasis – vi ankoraŭ forgesas la akuzativon]

(Perdoem a piadinha semi-interna. Pelo menos um leitor há de entender...)

(E aparentemente criar um texto com borda no GIMP é uma tarefa levemente não-trivial...)

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Sorĉo-kodo

2012-06-23 09:39 -0300. Tags: random, lang, esperanto

Eu proponho que "source code" seja traduzido por sorĉkodo (código-feitiço) em esperanto, ao invés do vulgar fontkodo. Obviamente, o programador passa a ser o sorĉisto (feiticeiro, cf. wizard). Os islandeses é que sabem o que estão fazendo.

Afinal de contas, computer so-called science has a lot in common with magic. (Né?)

[Disclaimer: dado o histórico de visitantes do blog, faz-se mister declarar explicitamente que isto aqui era pra ser brincadeira.]

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Desexcelências da vida

2012-05-28 22:46 -0300. Tags: about, esperanto, life, mind

Normalmente eu posto no blog pensando que só quem vai ler são as cinco ou seis pessoas para quem eu contei que tenho um blog, e provavelmente nem todas elas. Eu esqueço que isso aqui é a teia de escala mundial, pública para toda a galáxia. Assim, fiquei bastante surpreso ontem ao encontrar uma pilha de comentários no meu post sobre as desexcelências do esperanto, continuação de um post anterior em que cito que o esperanto é uma língua bem-feita mas com alguns problemas, e em resposta a um comentário que me pediu para elaborar sobre o assunto. Sem o contexto do post original, o das desexcelências pode parecer crítica gratuita, e não me preocupei em dar muito contexto porque assumi que todo o mundo que fosse lê-lo teria lido o original.

Como de praxe, minha reação imediata à crítica foi sub-ótima: recebi críticas pessoais, e as respondi como críticas pessoais, embora a resposta certa esteja parcialmente contida no que eu disse. A resposta certa é que as "minhas" críticas não são minhas: o post se propõe a resumir as críticas mais comuns à língua, como dito no primeiro parágrafo, e ficaria surpreso se um esperantista de longa data nunca tivesse se deparado com as mesmas críticas antes. "Mas são críticas de iniciante", alguns me dizem. Sim, são, em especial a primeira e a segunda, mas o problema é justamente evitar que os iniciantes abandonem a língua diante dos problemas encontrados.

Provavelmente é ingênuo da minha parte achar que se a língua tivesse menos defeitos o coeficiente de adesão seria maior, como o James Piton mencionou. Mas acho que alguns dos defeitos atrapalham sim a divulgação; qualquer alvo de crítica a mais é um problema na hora de promover "uma língua que ninguém fala" como língua universal. ("Ninguém" é um bocado de gente, como alguns comentaram.) De qualquer forma, o esperanto é a melhor solução que temos no momento, e as vantagens de criar outra língua "mais perfeita" provavelmente não compensam a perda da base de falantes, da literatura e da fama o esperanto tem.

Alguns dos comentários foram menos amigáveis. Acho que todo o mundo tinha que ter uma cópia disso aqui emoldurada em uma parede próxima ao computador para olhar antes de postar alguma coisa. No final das contas acho que uma das coisas que mais me incomodou foram os comentários que sugeriram que eu não soubesse o que é o acusativo; eu tenho que atirar pela janela um pouco da minha arrogância (que eu tenho mais do que talvez aparente, e mais do que eu mesmo tenho consciência a maior parte do tempo). Por outro lado, fica o lembrete de tomar cuidado na hora de assumir coisas sobre as outras pessoas, e de negar crítica alegando ignorância de quem critica.

Finalmente, essa história toda serviu para me lembrar que isso aqui é público, e que eu tenho que tomar mais cuidado com o que eu posto.

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Desexcelências do esperanto

2012-05-25 04:11 -0300. Tags: lang, conlang, esperanto

EDIT: Não sei como este post veio ao conhecimento de tanta gente. Os comentaristas podem se dar ao trabalho de ler o post original linkado no começo deste antes de dizer que "quando eu falar o esperanto" minhas críticas desaparecerão. Não é a mim que os esperantistas têm que convencer, é aos potenciais aprendizes da língua. No outro post eu argumentei em favor do esperanto, e só escrevi este post a pedidos. Respondi alguns dos comentários abaixo. Tenho um grande respeito pelo movimento esperantista, ainda que não seja mais ativo no movimento. Não me decepcionem, galera. Obrigado.

EDIT': Follow-up aqui.

EDIT'': Dada a tendência das pessoas a não ler os textos linkados antes de comentar e dada a incomodação que esse texto (que teve uma divulgação muito maior do que deveria) tem me causado, não é mais possível linkar este post a partir de outras páginas; a URL redireciona para lugares aleatórios. Por ora não vou desabilitar comentários, pois acho importante que os leitores possam dar sua opinião, mas vou simplesmente apagar comentários de gente que demonstre que não leu o post original antes de comentar (coisa que pelos logs de acesso do blog vi que pouquíssimos fizeram).

A pedidos, complemento o post sobre o esperanto com um resumo das críticas de natureza lingüística mais comuns feitas à língua.

Críticas freqüentes

Alfabeto e pronúncia

O esperanto usa um alfabeto de 28 letras: as letras q, w, x, y não são usadas, mas o alfabeto conta com seis letras acentuadas extra:

O objetivo dessas letras são dois: manter o princípio de uma letra para cada fonema da língua, e manter a grafia das palavras razoavelmente próxima da língua de onde a palavra saiu. A letra ĥ (e seu respectivo som) está em vias de extinção, tendo sido gradativamente substituída por k ao longo da evolução da língua (e.g., meĥanikomekaniko mecânica). Objetivos nobres ou não, o alfabeto é freqüente alvo de crítica, particularmente devido à dificuldade de digitá-lo. Antigamente visualisar texto em esperanto costumava ser um problema, mas com o suporte nativo a Unicode dos sistemas modernos esse problema praticamente não existe mais. Digitar ainda é um problema, embora sistemas GNU/Linux modernos normalmente aceitem, por exemplo, ^ + c para produzir ĉ. (O ŭ fica mais escondido: AltGr-Shift-9 produz o ˘.)

Outro alvo de crítica é o c, que tem som de ts, como é comum entre as línguas eslavas. A idéia por trás disso é manter a grafia das palavras próxima à das línguas de origem (cirklo "tsírklo", círculo) e ao mesmo tempo atribuir um som distinto a cada letra (o que exige dar um som ao c que seja distinto dos sons das letras s e k). Se por um lado isso produz palavras que têm uma aparência familiar, por outro lado produz maravilhas como pico ("pítso", pizza) e cunamo ("tsunámo", tsunami).

Milhares de ortografias diferentes já foram propostas. O aspecto do resultado não agrada muito aos olhos, e torna as palavras menos reconhecíveis. Um ponto interessante que já vi mencionarem é que o problema real não são as letras extra do alfabeto, e sim que o esperanto tem sons demais: eliminando os sons das letras extra, elimina-se as letras e a dificuldade que alguns possam ter de pronunciá-las. (Vale notar que os sons correspondentes às letras acentuadas não existem em latim, com exceção do ŭ.)

O acusativo

Muita, mas muita gente reclama da marca obrigatória do caso acusativo, que indica o objeto direto da frase, pela terminação -n. Um bocado de línguas marcam o acusativo (e.g., alemão, japonês, russo, finlandês), mas um outro bocado não marca (e.g., inglês, português, norueguês, chinês) [Edit: exceto vestigialmente em alguns pronomes, no caso das línguas indo-européias, como citado no post anterior]. Não tenho números, mas desconfio que a coisa fique 50-50*. A existência do acusativo é a principal fonte de guerras santas em fóruns esperantistas. É uma questão de gosto, no final das contas. O fato é que se não houvesse marca de acusativo em esperanto, provavelmente ninguém daria falta.

Um problema derivado é que a marca de acusativo não interage bem com nomes não-esperantizados que não terminam em vogais. Diz o Plena Manlibro de Esperanta Gramatiko que nesse caso pode-se usar o nome sem o -n, mas não creio que isso seja consenso; as regras originais da língua não se manifestam nesse sentido. Outra solução comum é adicionar -on ao final da palavra, incluindo a terminação de substantivo junto com a marca de caso (mi vizitis Liverpool-on "eu visitei Liverpool"), ou esperantizar o nome (mi vizitis Liverpulon).

Gender neutrality

O esperanto possui um sufixo para derivar o feminino de uma palavra (-in), mas não possui um sufixo equivalente para indicar o masculino. Tradicionalmente, boa parte (a maior parte?) das palavras que se referem a seres humanos eram tomadas como masculinas por padrão (similar ao que ocorre em português); hoje em dia o consenso é de que a maior parte dessas palavras são neutras (e.g., doktoro, sem maiores qualificações, pode ser um doutor de qualquer sexo); para outras palavras, não há consenso (e.g., amiko "amigo (ou amiga (ou não))"). De qualquer forma, é possível criar uma palavra feminina correspondente a partir dessas palavras neutras (doktorino), mas não há um equivalente para o masculino. Além disso, algumas palavras são inerentemente masculinas (e.g., patro "pai", da qual se deriva patrino "mãe", mas não há uma palavra diretamente equivalente ao "parent" do inglês, embora ocasionalmente se proponha genitoro, ou generinto (o particípio passado ativo de generi "gerar", i.e., "aquele que gerou")).

O esperanto possui um prefixo, ge-, que indica grupos de ambos os sexos: gepatroj significa "pais (e mães)". ge-, entretanto, implica a presença de ambos os sexos (gepatroj não é aplicável a um grupo de apenas homens ou apenas mulheres). Por esse motivo, tradicionalmente não se admite ge- com palavras no singular, embora ocasionalmente se veja gepatro como "parent".

Inúmeras vezes já se propôs o sufixo -iĉ como o masculino de -in (por analogia aos sufixos -ĉj e -nj, que formam apelidos de nomes masculinos e femininos, respectivamente), mas a adoção não é muito forte. A principal vantagem de se ter um sufixo especializado para o masculino é que sua presença em tese empurraria as palavras dubiamente neutras para totalmente neutras (i.e., amiko passaria definitivamente a servir para ambos os sexos, e amikiĉo e amikino seriam as formas gendered). Tenho que admitir, entretanto, que para mim (e provavelmente para muitos) o -iĉo soa horrível.

Essa para mim é a fatal flaw do esperanto. Ela é mais grave do que os outros problemas porque é um problema inerente à língua; não é algo que desaparece à medida em que se adquire fluência.

Uma crítica comum é que o esperanto não tem um pronome neutro de terceira pessoa. O problema aí são os falantes, não a língua: o esperanto sempre teve o pronome ĝi, que supostamente deveria servir como pronome neutro, mas que comumente, por analogia ao it do inglês, não se costuma usar para pessoas. (Já encontrei mil vezes a afirmação de que o próprio Zamenhof recomendava o uso de ĝi como pronome neutro para pessoas, mas nunca com citação de referência. [Edit: Jen via referenco. Dankon, Marcus Aurelius!])

Críticas menos freqüentes

Nomes dos países e seus habitantes

Em esperanto há duas classes de nomes de países e correspondentes gentílicos:

Segundo o Plena Manlibro (traduzido), "Zamenhof e outros falavam sobre uma distinção entre o velho mundo, onde os países pertencem a um povo particular, e o novo mundo, onde todos os povos são iguais. Isso foi mera teoria, que nunca se realizou na língua." So much para uma língua que pretende promover a igualdade entre os povos. Essa é a lesser fatal flaw, para mim, mas essa é fácil de corrigir, sem alterar a língua: basta não usar os nomes dos povos (e.g., hispano), e derivar o gentílico sempre a partir do nome do país (Hispaniohispaniano). Todos comemora.

Conclusão

No geral, como disse no outro post, o esperanto é uma língua muito bem feita, mais lógica e (conseqüentemente) mais fácil de aprender do que uma língua natural típica, e creio que esteja melhor que a concorrência (as outras IALs) nesse sentido. O sistema de derivação, em particular, mata a pau todo o mundo (até o Lojban, a famosa língua lógica). Porém, a língua possui seus problemas, alguns mais sérios que outros, o que atrapalha sua adoção. De qualquer forma, acho que vale a pena aprender a língua, nem que seja apenas pela boa noção de gramática que ela oferece e para ler a Neciklopedio. (Aos seres que ocasionalmente criticam o esperanto de ser "uma língua sem cultura" (o que da minha parte não seria defeito), favor ler os artigos da Neciklopedio sobre o movimento esperantista. Obrigado.)

* O 50-50 refere-se a marcar morfologicamente o sujeito e o objeto de maneira distinta. Nem toda língua que o faz usa o nominativo para o sujeito e o acusativo para o objeto. Algumas marcam o sujeito de um verbo intransitivo (sem objeto) com o mesmo caso do objeto de um verbo transitivo (são as chamadas ergativo-absolutivas). Algumas marcam o sujeito de um verbo intransitivo com um caso ou outro, dependendo de se o sujeito é o agente ou o paciente da ação (são as chamadas ativo-estativas). Algumas são nominativo-acusativas para a primeira e segunda pessoa e ergativo-absolutivas para a terceira. Algumas são ainda mais atípicas. Línguas são um negócio muito legal, se vocês querem saber.

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Esperanto?

2012-05-16 20:16 -0300. Tags: lang, conlang, esperanto

O esperanto é uma língua criada no século 19 por um camarada chamado Zamenhof. A idéia do esperanto é ser uma língua regular, fácil de aprender e neutra (não pertencente a um povo específico), para servir como uma segunda língua comum a todo o mundo. A primeira publicação sobre a língua veio ao mundo em 1887, e o primeiro congresso internacional ocorreu em 1905. Estimativas do número de falantes atualmente variam de 100 mil a 2 milhões. Por qualquer estimativa, é a IAL mais falada hoje. O vocabulário da língua é baseado primariamente nas línguas latinas, com algumas contribuições germânicas e eslavas.

No Brasil, o movimento espírita é o principal difusor do esperanto, e foi por meio de parentes espíritas e suas relações transitivas que tomei conhecimento da língua. (A ligação com o espiritismo é meramente incidental, entretanto.) Quando tinha uns treze anos, fiquei curioso sobre a língua e resolvi pesquisar nas Internets a respeito. Encontrei um portal de cursos online muito bom, e comecei a aprender a língua por lá. Em cerca de seis meses, estava falando a língua competentemente. Quando tinha uns 14 ou 15 anos, fui convidado a participar do Verda Kafo, um evento esperantista que ocorre todo mês em Porto Alegre. Comecei a comparecer no Verda Kafo regularmente. Participei de alguns eventos promovidos pela Associação Gaúcha de Esperanto. Tentei dar um curso de esperanto no colégio, que contou com uns três participantes e não passou da terceira aula. Todos comemora.

Em 2008, problemas pessoais me levaram a me isolar um pouco (mais) do mundo e perder um pouco (mais) da minha esperança na humanidade. Deixei de ir ao Verda Kafo e outros eventos. Longe do movimento esperantista, lancei sobre o esperanto um olhar mais crítico, difícil de se ter quando se está contagiado pela euforia do movimento esperantista, rodeado de um bando de gente com ideais semelhantes aos seus. O esperanto, no geral, é uma língua muito bem feita, mas possui diversos "pequenos probleminhas" que contribuem para a aversão à lingua e a desistência de potenciais falantes. Qualquer pequeno probleminha é desculpa suficiente para não se aprender a língua, que, ademais, é "uma língua que ninguém fala". (O fato de que ela deixaria de ser uma língua que "ninguém" fala se mais pessoas a aprendessem é irrelevante. Ninguém tem tanto tempo livre para resolver o problema da comunicação internacional. (O fato de que é mais rápido aprender esperanto do que inglês também é irrelevante. O inglês, ademais, é "uma língua que todo o mundo fala".))

Da minha parte, eu me daria por satisfeito se houvesse alguma língua universal, fosse ela esperanto, inglês, latim ou sumério. No entanto, tenho contato com o inglês desde pequeno, e leio mais em inglês do que em português há uns seis anos, e mesmo assim nunca deixo de me surpreender com palavras e expressões idiomáticas novas nessa língua. Creio que o número de falantes fluentes de inglês no mundo deixe a desejar no quesito "universal", e creio que qualquer língua natural enfrentaria as mesmas dificuldades. Uma língua artificial construída sistematicamente com o intuito de servir à comunicação internacional me parece uma solução mais apropriada ao problema, e neste mundo o esperanto é a IAL com maiores chances de atingir adoção mundial, mesmo com seus pequenos problemas. Sinceramente não sei se um dia ele chega lá, entretanto. ("Se um dia o mundo chega lá" expressa melhor o alvo da minha descrença.)

Mas mesmo que o esperanto nunca venha a servir como língua universal, há pelo menos um bom motivo para aprender a língua: aprender esperanto ajuda a aprender outras línguas posteriormente: estudando esperanto, você será exposto a diversos conceitos gramaticais realizados de maneira regular, o que lhe ajudará a entender melhor esses conceitos. Em um experimento com estudantes de ensino médio na Europa, verificou-se que um grupo que estudou esperanto por um ano e francês por três terminou com um domínio melhor do francês do que um grupo que estudou francês durante os quatro anos. Aliás, se o esperanto tem alguma chance de se tornar uma língua universal, essa me parece uma das melhores estratégias de atingir esse objetivo: promove-se o esperanto como um meio de facilitar o aprendizado de outras línguas. Milhares de pessoas aprendem a língua dessa maneira, e então seguem aprendendo inglês e as outras línguas estrangeiras que pretendam aprender. A base de falantes de esperanto cresce, e de repente o mundo se dá conta de que uma boa porção da população mundial possui o esperanto como língua comum. Mais pessoas aprendem esperanto, as vantagens do esperanto como língua universal começam a se tornar evidentes, e finalmente a língua ganha adoção mundial oficial. Todos comemora.

E qual é que é dessa língua?

Apresentar-vos-ei uma introdução ao esperanto por meio de alguns exemplos.

La alta knabino legas malnovan libron atente.
La álta knabíno lêgas malnôvan líbron atênte.
A menina alta lê um livro velho atentamente.

La: é o artigo definido. Ele não flexiona, i.e., não há formas separadas para singular/plural, masculino/feminino, etc.; la = o, a, os, as.

alt-a: todo adjetivo em esperanto termina em -a. Adjetivos não possuem gênero (formas separadas para masculino/feminino).

knab-in-o: todo substantivo em esperanto termina em -o. knab- é um radical que significa "menino". -in- é um sufixo que deriva o feminino a partir de uma palavra masculina ou neutra.

leg-as: há seis tempos/modos verbais em esperanto:
presenteleg-as
passadoleg-islia, leu
futuroleg-oslerá
condicionalleg-usleria, lesse
volitivoleg-uleia
infinitivoleg-iler

Verbos não conjugam por pessoa: mi legas (eu leio), vi legas (você lê), ni legas (nós lemos), etc.

mal-nov-a-n: mal- é um prefixo que deriva o oposto de uma palavra; nova novo → malnova velho. A idéia por trás disso é reduzir o número de radicais que se tem que aprender para usar a língua. O -n é a marca do caso acusativo, que indica o objeto direto da frase. Em português, substantivos não têm marca de caso, mas alguns pronomes têm: em Ela me viu, me é o acusativo de eu. Em esperanto, assim como em latim e muitas outras línguas, substantivos, adjetivos e pronomes recebem a marca de caso. (Diferentemente do latim, só há dois casos em esperanto: o nominativo (sem -n) e o acusativo (com -n).) A marca de acusativo traz duas vantagens à língua:

libr-o-n: livro, no acusativo.

Vale notar que o "um" que aparece na tradução não consta no original; a ausência de artigo ou algo que o valha é suficiente para indicar indefinição: la knabino legas (a menina lê) vs. knabino legas (uma menina lê).

atent-e: trocando-se o -a final de um adjetivo por -e, deriva-se o advérbio correspondente: atenta (atento) → atente (atentamente).

Ŝiaj okuloj avide trakuras la paĝojn.
shíai okúloi avíde trakúras la pádjoin.
Seus olhos percorrem avidamente as páginas.

ŝi-a-j: O plural em esperanto é indicado por -j (que se pronuncia i, como semivogal). Ŝi significa "ela"; ŝi-a é o pronome possessivo correspondente (seu, dela); ŝi-a-j é o plural (seus).

okul-o-j: olhos, no plural.

tra-kur-i: percorrer: tra (através) + kuri (correr); "correr através de".

paĝ-o-j-n: páginas, no plural e no acusativo.

Afiksoj

Já mencionei o mal-, prefixo que deriva o oposto de uma palavra. O esperanto possui um sistema de derivação bastante completo que permite criar muitas palavras a partir de poucos radicais. Por exemplo:

Isso reduz bastante o número de palavras que se precisa aprender para usar a língua. Como os mecanismos de derivação são largamente regulares, freqüentemente compreende-se uma palavra nunca vista antes imediatamente. É comum criar palavras novas enquanto se está falando/escrevendo, e normalmente a palavra será prontamente compreendida pelo ouvinte/leitor.

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