Elmord's Magic Valley

Software, lingüística e rock'n'roll. Sometimes in English.

Remember what I told you / If they hated me they will hate you

2018-10-08 21:39 -0300. Tags: music, politics, life, mind

Faz uns dias que essa música anda na minha cabeça (letra, tradução).

I'll just leave this here.

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Resolução de ano novo

2018-01-01 22:55 -0200. Tags: life, mind, about

Eu não sou muito fã de resoluções de ano novo, por uma variedade de motivos, mas como resolução tentativa de ano novo eu escolho a seguinte:

Preocupar-se com as coisas que importam, e não se preocupar com as coisas que não importam.

Obviamente, o que importa e o que não importa é inteiramente subjetivo. Mas isso não importa.

Desejo a todos um feliz ano novo, e espero em breve voltar a escrever mais por aqui.

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Some thoughts on Twitter and Mastodon

2017-06-25 01:32 -0300. Tags: comp, web, privacy, freedom, life, mind, in-english

Since the last post I've been using Mastodon as my primary microblogging platform for posting, but I was still regularly reading and retweeting stuff on Twitter. A while ago Twitter started reordering tweets in my timeline despite my having disabled that option, just as I said could eventually happen (except much earlier than I expected). The option is still there and is still disabled, it's just being ignored.

Twitter brought me much rejoicing during the years I used it. I follow a lot of cool people there and I've had lots of nice interactions there. I found myself asking if I should accept some abuse from Twitter to keep interacting with those people, and I've been shocked at myself for even asking myself that. I've been using Twitter less and less as of late. (I'd like to be able to say I did it out of principles, but to be completely truthful I find the non-chronological timeline utterly annoying, and that has had as much to do with my leaving as principles.)

Although I switched to Mastodon as my Twitter replacement, Mastodon is not really "another Twitter". Having 500 rather than 140 characters to write initially felt like learning to talk again. Early on when I started using Mastodon, I was going to reply to a person's toot (that's what posts are called in Mastodon) with a short, not-really-one-full-sentence line that is the norm in Twitter. I wrote it down and was like "no, this kind of grunting a half-thought is not going to cut it here". It felt like Twitter's 140 character limit not only limited the kinds of things you could say, but also imposed/favored a "140-character mindset" of not finishing lines of thought or thinking with much depth. As I went on using Mastodon, I found myself writing thoughts I wouldn't have even tried to write in Twitter.

I still open up Twitter once in a while. Today I opened the mobile version in my desktop browser and noticed that the mobile version still shows a chronological timeline, still doesn't pollute the timeline with liked-but-not-retweeted tweets, and is much faster and cleaner than the desktop version. (I still have to un-fix the navigation bar via CSS, but I already had to do that in the desktop version anyway.) It's tempting to start using Twitter again through the mobile version, while it doesn't catch up with the new "features". I know I shouldn't, though. Even if the mobile version never caught up with the misfeatures (I suppose it eventually will, probably in short time), Twitter has already shown they're willing to throw stuff down their users' throats in the name of – what? I'm not even sure. Maybe they want to make Twitter more Facebook-like to attract Facebook users, even if that means alienating the people who used Twitter exactly because it was not like Facebook?

The funny thing is Twitter could simply provide some options for users to control their experience ("(don't) show tweets liked by your followers", "(don't) show tweets you liked to your followers", "(don't) reorder tweets" (the last one is already there, it just doesn't work)). This way they could cater to whatever new audience they have in mind and keep the users who liked how Twitter used to work. They just don't care to. I'm not really sure what are the motivations and goals behind Twitter's actions. For a really long time before the last changes it had been showing the "you might like" box (even if you clicked the "show me less like this" option (the only way to dismiss it) every time) and the "you might like to follow" box (even if you dismissed that too, and even though it also showed undimissable follow suggestions on the right pane anyway). I used to open Twitter pretty much every day, so it didn't really make sense as a user retention strategy. Maybe they want to incentivize people to do specific things on Twitter, e.g., throw in more data about themselves? (Yeah, there was the "add your birthday to your profile" periodic thing too.)

Meh.

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Essa vida mulambda

2016-09-14 23:23 -0300. Tags: about, life, mind

Pois então, galera. Faz um bocado de tempo que eu não dou as caras por estas terras de Entre-Douro-e-Minho, por uma porção de motivos.

Emprego

Eu comecei a trabalhar no final de julho, o que me deixou com menos tempo livre para dedicar às atividades blogareiras. Além disso, eu chego em casa com variáveis graus de cansaço, e conseqüentemente menos inclinado a sentar e escrever. (Ultimamente eu tenho chegado menos cansado do que inicialmente, talvez porque eu agora eu já tenha me acostumado melhor com a rotina. Mas eu ainda continuo chegando com uma certa dose de zonzeira na cabeça, o que eu desconfio que tem mais a ver com o barulho do ônibus e do ar-condicionado do serviço do que com cansaço em si, mas ainda não testei essa hipótese.)

Quanto ao trabalho, está sendo bem bacaninha. Estou trabalhando como desenvolvedor Python, que das linguagens mais mainstream acho que é a que eu mais gosto, e tenho aprendido bastante coisa sobre as tecnologias da modinha (plot twist: elas são úteis). A única coisa não muito empolgante é que estamos trabalhando sobre uma codebase herdada de uma outra empresa, e que foi desenvolvida usando técnicas de programação um tanto quanto, digamos, interessantes.

Outra coisa que eu descobri por lá é que o futuro do subjuntivo irregular ("fizer", "tiver", etc.) está mais morto do que eu pensava, mas isso é assunto para outra ocasião.

Mestrado

Outra coisa que eu tinha (e tenho) tomando meu tempo livre é o mestrado, e o tempo que não era comido pelas atividades do mestrado era comido pela preocupação de achar que devia estar fazendo as atividades do mestrado. Depois de ter tido um segfault na cabeça no fim-de-semana retrasado tentando terminar um paper para semana passada, eu decidi parar de me preocupar com o mestrado por enquanto, o que em termos de saúde mental parece ter sido uma ótima decisão. Eu pretendia falar um pouco mais sobre a situação do mestrado, mas acho que vai ficar para depois de eu o ter concluído (ou de eu ter sido chutado dele por timeout).

Mudança de workflow

Normalmente, meu workflow para escrever um post é: (1) pegar um tópico; (2) escrever sobre o tópico até exaustão (tanto do tópico quanto do autor) por qualquer quantidade de tempo entre duas e oito horas; (3) reler o post (com variáveis graus de exaustividade) para ver se ficou algum erro de digitação ou redação; (4) publicar o post (e descobrir erros depois anyway). Às vezes eu até começo em um dia e continuo em um outro, mas no geral vai tudo em uma sentada. Uma conseqüência disso é que eu já sei de antemão que escrever um post vai tomar um bocado de tempo, então eu acabo só me sentindo inclinado a escrever quando eu sei que vou ter rios de tempo livre sem interrupções. (Outra conseqüência disso são os famosos posts de 20k, tão apreciados pelos leitores.)

Agora que eu não tenho mais rios de tempo livre contíguo com tanta freqüência, esse workflow está sendo um tanto quanto sub-ótimo (vide quantidade de posts nos últimos dois meses). Estou pensando se não é o caso de eu começar a escrever posts menores e splitar tópicos em múltiplos posts, mas não sei até que ponto isso é uma boa idéia. Faz umas semanas que eu tenho pensado em escrever um post sobre alguns fatos [que eu acho] interessantes sobre os números nas línguas indo-européias, mas isso é um post que tomaria bastante tempo tanto para a escrita em si quanto para pesquisar/conferir os fatos antes de escrever. Não sei se faz sentido separar o tópico em múltiplos posts e ir postando uma série de posts pequenos, ou se é melhor escrever um post só em várias sentadas e publicar tudo de uma vez no fim do ano. Eu prefiro ler esse tipo de informação toda de uma vez, mas eu sei que pelo menos alguns dos leitores não partilham da mesma preferência. (On the other hand, eu não sei se esses mesmos leitores leriam a mesma informação espalhada em múltiplos posts. So there's that.)

Mas essa é a sua opinião, ele já tem outra opinião, ué. Qual a sua opinião?

On another note

Unrelated com qualquer coisa, por ser ano eleitoral, eu implementei a mui lendária e prometida lista de comentários recentes na sidebar do blog no domingo passado. Espero que ela traga muitas alegrias a todos. Votem em mim para déspota universal.

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Land

2016-06-11 22:50 -0300. Tags: music, life, mind

Eu ia escolher um verso para usar como título do post, mas a letra é toda épica demais pra escolher.

Týr – Land (YouTube)

Homeland we're leaving
We are retrieving
Our right to stand alone
We cannot stay here
Leave this bay
Fear not what must be
We must cross the sea

On our own
Standing alone
Always we got by on our own
Under stormy skies
Through rain, wind and raging sea
Head into the Unknown

Leave behind
Bonds that may bind
Circumstance that keep us behind
Rise to meet the day
Hold high torches passed through time
Fear not what you might find

Ver sterk mín sál á køldu náttarvakt
Har eingi altarljós til gudar brenna
Har hvør ein vón av fannkava var takt
Og hjarta ongan hita meir kann kenna
Ver stór mín sál sum rúmdar kalda tøgn
Ið eina er, tá sloknar lívsins søgn.

[Translation]
Be strong, my soul, on thy night vigil cold
Where to the gods no altar candle burns
Where every hope the snowy drifts enfold
And ne'er a trace of heat my heart discerns
Be great, my soul, as those still spaces cold
Which lone remain, when life's brief tale is told

Roads are long and oceans far and wide
Nights are cold and skies are dark and gray
Ride the autumn wind and evening tide
Time is long and land is far away

Out on the sea
Waiting for me
Storms are raging violently
Still we sail on silently
We seek to tame the torrrents and tides
Master the mights

Sail with me across the raging sea
Write your tale into eternity
Still we've sighted only sea till now
As we sail, I sometimes wonder how

* * *

Rest in the twilight
I have gained insight
Since the deeds of younger days
Now I am wiser
Raise my eyes
Gaze across the sea
And recall when we

Sailed away
Sought a new way
How I longed for far, far away
In the sunset glow
I dreamt of another land
A thousand years from that day

[from the Hávamál]
Cattle die
Kinsmen will die
I myself must die too some day
All are mortal men
But fair fame will never fade
For the man who wins it

Ver sterk mín sál á mjørkatungu ferð
Har tættar fylkjast um teg gráar gátur
Tín barnaflokkur
Úttærdur hann er
Og sárur kennist hans sólsvangi grátur
Ver stór mín sál í dagsins royndar stund
Holl veitir nátt hin dreymaleysa blund.

[Translation]
Be strong, my soul, upon thy darkling way
Where grey mysterious forms about thee run
Thine offspring, who their weariness display
In piteous weeping for the absent sun
Be great, my soul, with the day's griefs oppressed
A long night comes, to grant the dreamless rest.

Roads are long and oceans far and wide
Nights are cold and skies are dark and gray
Ride the autumn wind and evening tide
Time is long and land is far away

Out on the sea
Waiting for me
Storms are raging violently
Still we sail on silently
We seek to tame the torrents and tides
Master the mights

Sail with me across the raging sea
Write your tale into eternity
Still we've sighted only sea till now
As we sail, I sometimes wonder how far to Asgaard.

[Letra tomada deste site, com pequenas correções.]

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Words of wisdom by Tim Pulju

2015-09-06 20:58 -0300. Tags: life, mind, random

Tim: … I'm gonna pick number 3 … also because if I just agree with everyone else and we're all correct then I attain no glory from that, but if I disagree with everyone else and I'm correct then I'll have great glory, and I think I'll put it in my gravestone, so I'm gonna say that number 1 and number 2 are correct and number 3 is false.

[…]

Trey: Now, on to Tim's great glory, did you consider the possibility of great shame?

Tim: I did, but I've lived with great shame for so much of my life that it won't be no great burden to add further shame to myself.

Language Made Difficult, Vol. XVII

(By the way, o Tim Pulju apresentou uma TED talk mui bacaninha chamada The Uncanny Science of Linguistic Reconstruction em 2011.)

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Mind dump

2015-04-10 01:34 -0300. Tags: comp, prog, pldesign, lash, life, mind, ramble, music

Coloquei o lash no GitHub, for what it's worth. Eu me pergunto se foi uma coisa sensata publicar ele agora, mas já faz um tempo que eu vinha anunciando que ia publicar "em breve", então coloquei lá de uma vez. (Além disso, esses dias eu quis mexer nele fora de casa e não tinha o código.) O código está em um estágio bem inicial – vergonhosamente inicial, dado que já faz umas três semanas que comecei a trabalhar nele, e o que eu fiz até agora eu provavelmente poderia ter feito em uns três dias se tivesse tido a disciplina de trabalhar nele semi-diariamente. Por outro lado, o projeto está andando para frente, mesmo que devagar, o que já é melhor do que todos os anos anteriores em que eu disse "puxa, eu queria fazer um shell" e não escrevi uma linha de código. So, that's progress. Além disso, na atual conjuntura eu provavelmente deveria tentar relaxar um pouco a cuca e me preocupar menos com isso; afinal, isso é um projeto pessoal e eu não devo nada para ninguém. No final das contas, megalomanias de dominação mundial à parte, o principal afetado pelo bom sucesso do projeto sou eu mesmo.

Eu cheguei à brilhante e inaudita conclusão de que eu vou ter que reduzir bastante minha atividade twittereira e internética em geral se eu quiser começar a fazer alguma coisa produtiva com a minha vida (onde escrever um shell e estudar línguas obscuras contam como coisas produtivas). Por outro lado, a Internet atualmente é responsável por uns 95% das minhas interações sociais, especialmente agora que eu não tenho mais aulas, coisa que faz uma certa falta, a despeito da minha fama de anti-social. A solução provavelmente é (shudder) sair de casa e falar com pessoas.

Eu também cheguei à conclusão (igualmente brilhante) de que muita coisa nessa vida é questão de criar hábitos. Por exemplo, até algumas semanas atrás eu costumava usar toda a louça da casa até não ter mais louça limpa, momento em que eu aplicava o garbage collector e lavava tudo (ou, dependendo da preguiça, só o que eu precisasse na hora). Eu me dei conta de que isso não estava sendo muito conveniente e resolvi começar a lavar as coisas logo depois que uso, ou antes de ir dormir. No começo era meio ruim ter que me "obrigar" a fazer isso, mas agora eu já me habituei e isso não me incomoda mais tanto (além do que, como a louça não acumula, normalmente o esforço de lavar é pequeno). Talvez seja uma questão de criar o hábito de sentar uma hora do dia para programar/estudar/whatever. O flip side disso é que a gente também se habitua ao longo da vida a uma porção de coisas que a gente deveria questionar e/ou atirar pela janela, não só hábitos acionais como também (e principalmente) hábitos mentais. Estas são minhas (brilhantes e inauditas) palavras de sabedoria do dia. (Tecnicamente todo hábito é mental, mas deu pra entender. Acho.)

Escrever o lash em Chicken Scheme tem sido uma experiência bastante agradável. Eu estou aprendendo (a parte não-R5RS d)a linguagem "as I go", mas até agora a linguagem não me deixou na mão, a implementação é estável e gera executáveis pequenos e razoavelmente rápidos, e o sistema de pacotes funciona. (Rodar chicken-install pacote e consistentemente ver o pacote ser baixado e compilado sem erros era quase chocante no começo. O fato de que as bibliotecas são shared objects (a.k.a. DLLs) de verdade e carregam instantaneamente também muito alegrou o espírito, especialmente dada minha experiência anterior com bibliotecas em Common Lisp.) A única coisa que deixa um pouco a desejar é o error reporting, mas nada "deal-breaking".

Eu me dei conta de que uma das coisas que eu mais gosto em linguagens "dinâmicas" é a habilidade de rodar um programa incompleto. Eu já meio que escrevi sobre isso antes, mas eu já não lembrava mais quão deeply satisfying é poder rodar um programa pela metade e ver a parte que foi escrita até o momento funcionando. Por outro lado, é bastante incômodo errar um nome de função ou os argumentos e só descobrir o erro em tempo de execução. Faz muito tempo que eu acho que o ideal seria uma linguagem com análise estática de tipos, mas em que erros de tipo gerassem warnings ao invés de impedir a compilação, e que permitisse a declaração opcional dos tipos de variáveis e funções. Uma dificuldade que eu via nisso até agora é que enquanto em uma linguagem dinâmica os dados costumam ter uma representação uniforme em memória que carrega consigo alguma tag indicando o tipo do dado, e portanto é possível chamar uma função com argumentos do tipo errado e detectar isso em tempo de execução, em uma linguagem estaticamente tipada convencional os dados costumam ter uma representação untagged/unboxed e de tamanho variável, o que tornaria impossível compilar um programa com um erro de tipo sem violar a segurança da linguagem (e.g., se uma função f recebe um vetor e eu a chamo com um int, ou eu rejeito o programa em tempo de compilação, o que atrapalha minha habilidade de rodar programas incompletos/incorretos, ou eu gero um programa que interpreta o meu int como um vetor sem que isso seja detectado em tempo de execução, o que provavelmente vai causar um segfault ou algo pior). Porém, esses dias eu me dei conta de que ao invés de compilar uma chamada (insegura) a f(some_int), poder-se-ia simplesmente (além de gerar o warning) compilar uma chamada a error(f, some_int), onde error é uma função que avalia os argumentos e lança uma exceção descrevendo o erro de tipo. O resultado prático é que o executável gerado roda até o ponto em que é seguro rodar (inclusive avaliando a função e os argumentos) e interrompe a execução no ponto em que seria necessário chamar a função com um argumento de tipo/representação incompatível. Melhor dos dois mundos, não? Vai para o meu caderninho de idéias para a Linguagem Perfeita™.

Eu ia escrever mais umas notas sobre a vida, mas ultimamente eu ando mui receoso quanto a publicar coisas da minha vida pessoal – o que provavelmente é uma boa idéia. É fácil esquecer que qualquer um, no presente ou no futuro, pode ler o que a gente escreve nessa tal de Internet. Eu também já falei sobre isso mil vezes antes, which makes it all the more surprising que eu ainda tenha que me relembrar disso ocasionalmente. Anyway.

Unrelated com qualquer coisa, conheci recentemente uma bandinha chamada Clannad, na qual eu me encontro totalmente viciado no momento. Também conheci uma coisa totalmente excelente chamada Galandum Galundaina, uma banda mirandesa com certeza.

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State of the life

2014-10-17 01:37 -0300. Tags: life, mind, academia, mestrado, home

As pessoas gostam de dizer que o tempo passa rápido. Eu nunca concordei com essa afirmação; para mim, um ano sempre levou um ano inteiro para passar. Mas esse ano em particular está se puxando em termos de neverendingness. Para futuras consultas, e para quem tiver interesse, deixo aqui um registro simplificado dos fatos.

Em janeiro deste ano, meu pai se mudou para um apartamento em Porto Alegre, e eu, que até então morava em uma casa alugada de solidez questionável, me mudei para a recém desocupada casa. Após uma série de acidentes vivenciosos, cuja enarração está fora do escopo deste livro, encontrei-me por volta de julho dividindo a casa com meu pai e minha irmã, compartilhando com esta última um quarto de 2×2,5m, e tendo que cuidar da mesma no período da tarde. Uma vez que essa obrigação conflitava com a necessidade de comparecer à UFRGS para a bolsa do mestrado e a essas alturas eu já estava perdendo as estribeiras, em uma última tentativa de salvar um pouco da minha sanidade mental, falei com meus orientadores sobre a possibilidade de trancar a matrícula. No fim das contas, ficou combinado que eu poderia continuar realizando as atividades do mestrado remotamente (já terminei todos os créditos necessários (que a partir deste ano são 12, e não 24), e agora só me restam o Trabalho Individual e a dissertação e atividades relacionadas), eu fiquei mui faceiro, e ficou por isso mesmo.

Evidentemente, isso não foi nada produtivo, dada a falta de sossego e de coisas como uma mesa decente e isolamento e o fato de eu passar constantemente estressado ou cansado ou deprimido. Nesse meio tempo eu descobri que é possível comprar casas super-barato nas verdejantes terras de Viamãoheimr se o camarada não se preocupar com trivialidades como escritura e terreno em área verde, e comecei a catar locais para me mudar para no ano que vem. Depois de umas três ou quatro visitas a locais de solidez ainda mais questionável do que a anteriormente citada casa e em localizações pra lá de interessantes, eu larguei de mão essa idéia e decidi esperar até o fim do ano (quando eu me livro da obrigação de cuidar da criança) para alugar uma casa e me mudar.

No dia 15 de setembro, quando eu estava considerando trancar a matrícula pela (n+1)-ésima vez, eu me dei conta de que se eu alugasse uma casa suficientemente perto eu não precisaria esperar até o fim do ano para me mudar; eu podia me mudar agora e só ir para a outra casa à tarde. Até então eu estava tão fixado na idéia de comprar uma casa que isso nem me passou pela cabeça. Catei casa para alugar nas redondezas e encontrei uma elegante peça de 3×5m mais um banheiro para alugar por meia pataca. A saga para conseguir alugar esse bendito imóvel é uma história à parte que eu hei de postar em algum momento para a elucidação de todos os seres sencientes. Suffice it to say que sexta-feira da semana passada eu consegui me mudar para o lugar, e que turns out que 15m² são um tamanho bem razoável se bem utilizado e quando não se tem que dividi-lo com ninguém.

A situação está um pouco melhor desde que eu me mudei para cá. Por outro lado, até o fim do ano eu continuo tendo que brincar de babá às tardes e em outros momentos de interesse, entre outros eventos que me levam a questionar se o conceito de respeito pelo tempo dos outros existe na cabeça da população em geral ou se é alguma flutuação da minha imaginação, mas eu vou levando, pois é só até o fim do ano, e depois disso eu espero me sentir mais confortável em dizer não diante de proposições equiparáveis.

Quanto ao mestrado, by now I'm pretty sure de que eu não quero seguir a carreira acadêmica e viver de publicar papers. Aparentemente é possível ganhar uns bons trocos dando aula em instituições privadas de ensino superior sem ter que fazer pesquisa, e por enquanto este é o meu plano para depois que eu terminar o mestrado. (Para a minha definição de "uns bons trocos", pelo menos. Certamente não tanto quanto um professor titular de universidade federal, mas a carga horária é menor também. Eu não tenho a necessidade de ganhar rios de dinheiro e, contanto que eu ganhe o suficiente para levar uma vida decente e guardar uns trocados, eu prefiro ter mais tempo do que mais dinheiro. Eu me sinto um pouco desconfortável dizendo isso para as pessoas, porque é basicamente uma admissão de vadiagem, mas should it matter, se eu estiver me mantendo com meu próprio dinheiro sem pedir nada para ninguém? Enfim.) Eu tenho tido dificuldade em me motivar a fazer as atividades do mestrado, mas eu tenho levado, e o prognóstico de terminar isso tudo e deixar para trás é bastante animador.

By the way, lembram quando eu manifestei minha descrença pela idéia de que as aulas do mestrado "não são mais do mesmo"? Hell was I right. As predicted, as aulas são much the same thing (pelo menos as que eu tive). A melhor cadeira que eu fiz no semestre foi Programação Funcional Avançada, que nem era do mestrado (foi a cadeira que eu escolhi para realizar a Atividade Didática). Algoritmos e Teoria da Computação foi bacaninha também (em particular a parte de Teoria da Computação), mas nada muito diferente de uma cadeira da graduação. De resto, o semestre foi tolerável primariamente graças aos pães do Hélio. Also as predicted, a variedade de cadeiras (ou falta de) também limita as possibilidades de pegar apenas cadeiras em tópicos de interesse; aliás, os horários das cadeiras do mestrado são um tanto quanto mal-distribuídos (não há praticamente nenhuma cadeira às 8h30, por exemplo), o que aumenta a possibilidade de conflitos de horários entre cadeiras (semestre passado eu tive que escolher entre uma cadeira de programação paralela e uma de tendências em engenharia de software por conta do conflito de horários, por exemplo); soma-se a esse problema o fato de que a maioria das cadeiras é oferecida em apenas um dos semestres do ano, e que recomenda-se fortemente aos alunos cursarem todas as disciplinas no primeiro ano do mestrado. On the bright side, esse ano o PPGC resolveu reduzir o número de créditos obrigatórios do mestrado para 12, o que permite realizá-los todos no primeiro semestre.

Also on the bright side, eu consegui (depois de muitas conturbações, primariamente na minha cabeça) escolher um tema de dissertação em um assunto que me interessa. Vai dar um baita trabalho para implementar, mas pelo menos eu vou aprender coisas pessoalmente úteis para mim no processo.

Do futuro, falamos depois.

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A madman and a scholar

2014-07-06 20:41 -0300. Tags: life, mind, academia, mestrado, ramble

Recentemente, conversando com algumas pessoas sobre o mestrado, eu disse, with varying wording, que eu ando meio pirado. Não era figura de linguagem: I meant every word of it. Se eu ainda não perdi totalmente as estribeiras, eu provavelmente devo isso primariamente à Julie Fowlis; eu ainda sou capaz de pôr ela (e a Mari Boine) nos agradecimentos da dissertação.

Semana passada eu tive uma prova, na qual eu sabia não ter ido muito bem. Quinta-feira à noite as notas foram divulgadas por e-mail, e a professora (doravante Professora I) informou que as provas ficariam na secretaria da pós-graduação para quem quisesse pegar, e que só estaria de volta à universidade na segunda. A minha nota estava tão vergonhosa que eu não estava nem a fim de ir pegar a prova. Na sexta, a outra professora da disciplina (doravante Professora II) divulgou os conceitos da disciplina; eu estava de recuperação. Apesar de estar chateado e todo perturbado das idéias, eu resolvi ir pegar a prova na secretaria e dar uma olhada, just to make sure. Turns out que a Professora I somou errado as notas das questões e me deu 2.5 ao invés de 25 em uma questão que valia 25. Se a nota tivesse sido calculada corretamente, eu não teria ficado de recuperação.

Mandei um e-mail para a Professora I sexta ao meio-dia, com um scan da prova. Não recebi resposta até o momento.

Nos últimos dois dias, eu tive três sonhos. (Isso dá uma idéia de quão regulares andam meus padrões de sono ultimamente.) No primeiro, eu estava discutindo loucamente com a Professora I tentando convencê-la sem sucesso de que a nota tinha sido calculada errada. No segundo, eu estava discutindo louca e veementemente com outro professor que queria me rodar por FF a qualquer custo por eu ter faltado a um dia de apresentações. O terceiro foi uma variação de um sonho recorrente, embora infreqüente, em que eu descubro no final do curso que eu não assisti a nenhuma aula da cadeira de Álgebra Linear (da graduação) ou alguma outra coisa math-related e vou ter que refazer a cadeira. Dessa vez o sonho foi mais elaborado e eu tinha mais alguma coisa para fazer depois de apresentar o TCC, mas a essas alturas eu já não lembro mais dos detalhes concretos.

Eu estou meio que urgentemente precisando de umas férias, que eu não terei porque (1) um certo professor, por conta das aulas perdidas por conta da copa (o semestre já não tinha começado mais cedo para compensar isso?), viagens no meio do semestre, aulas canceladas por motivos pessoais e ausência generalizada de cronograma, vai dar aula até além do fim do semestre (pode isso? claro que não; faz diferença? claro que não); (2) bolsista não tem férias. Segundo o pessimamente mal-escrito regulamento do PPGC, o bolsista tem direito a um mês de férias (por ano? na vida? assumindo um mês por ano, dá para emendar o mês de férias de 2014 e o de 2015? por que escrever direito se podemos deixar ambíguo e interpretar como quisermos depois?), mas elas têm que ser combinadas com antecedência com o orientador, e o caso é difícil de defender, porque eu nem fiz grande coisa como bolsista so far. Em qualquer caso, não vale a pena pedir férias agora por conta da cadeira mencionada.

Faz algum tempo que me admira o fato de que essencialmente o mesmo cérebro que servia ao cidadão cavernícola de vinte mil anos atrás também é capaz de absorver e ser bombardeado por quilos e quilos de informação com variáveis graus de abstração numa proporção supostamente muito maior hoje em dia do que então. Hoje isso me levou a duas reflexões: (1) De um lado, uma apreciação do fato de que a vida intelectual do cidadão cavernícola talvez não fosse tão simples assim; aliás, deixo-vos a conjectura (sem qualquer argumento, qualificação ou conhecimento para fazê-la) de que viver naquela época era tão difícil que, tendo-nos livrado de parte dessa complexidade graças a avanços tecnológicos (agricultura e etc.), quilos de poder de processamento foram liberados para as atividades intelectuais mais "elevadas" que realizamos hoje. (2) De outro lado, óbvio que isso ia dar merda, e é por isso que tem tanta gente pirada pelo mundo.

Por que eu estou falando disso? Porque nos últimos tempos eu ando meio overwhelmed com idéias e coisas que seriam interessantes de desenvolver e coisas que eu gostaria de ler e coisas que eu não gostaria tanto assim de ler mas que eu preciso ler para o mestrado e trabalhos para fazer, e eu estou em um ponto em que eu já não foco direito em coisa nenhuma; uma hora estou lendo um paper sobre dependent types, aí não termino de ler e estou lendo fragmentos arbitrários da documentação do Chicken Scheme, aí depois estou lendo sobre phase separation em Lisps, e aí estou escrevendo um leitor de S-expressions em C. (Isso foi um resumo do meu dia de ontem-anteontem (dado meus anteriormente mencionados padrões de sono, eu já não sei quando começou um dia e terminou outro).) Eu quero criar uma linguagem de programação e uma conlang e um sistema de escrita e uma máquina virtual e pensar sobre o problema da minha dissertação e eu não consigo me concentrar em nenhuma dessas coisas por qualquer quantidade decente de tempo nem parar de pensar nelas. Talvez eu estivesse precisando ficar uns dias sem olhar para um computador ou para quaisquer coisas acadêmicas e curtir a vida de outras formas. Não me ocorre nenhuma possibilidade de outras formas, entretanto, e eu me pergunto se eu estou fazendo alguma coisa muito errada com a minha vida. Adicione-se a isso uma prova para a qual enquanto eu estudava e lia os exercícios e as respostas no livro eu me perguntava: "Como é que eu ia pensar nisso? Será que eu sou incompetente? E tu ainda pretende fazer o doutorado?" Adicione-se a isso mil outros problemas que estão fora do escopo do discutível neste blog.

Querida Professora I: Responda o bendito e-mail. Boa noite.

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Die, monster

2013-07-27 03:33 -0300. Tags: life, mind

You don't belong in this world.

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