Elmord's Magic Valley

Software, lingüística e rock'n'roll. Sometimes in English.

Orthographica

2014-08-20 01:31 -0300. Tags: lang, rant, ramble

A notícia de que estão querendo propor outra reforma ortográfica me trouxe à mente umas cousas de que eu gostaria de falar.

Da inconsistência da ortografia vigente

Certa feita, estávamos eu e familiares percorrendo as verdejantes terras de Viamãoheimr, quando um dos indivíduos exclamou algo do tipo: "Olha lá, a placa escrito 'ezibida' com 'z'. E aposto que a pessoa não escreveu assim pra ser diferente, não sabia mesmo." O primeiro pensamento que me veio à mente foi:

  1. Será que, ao invés de zoar da ignorância do povo, nós não devêssemos ficar é preocupados com o estado da educação neste país?

Mas logo depois me ocorreu outro:

  1. Não é fantástico que hoje em dia praticamente todo o mundo saiba ler e escrever, ainda que imperfeitamente, coisa que não era verdade dois séculos atrás nem durante a maior parte da história da escrita?

E, finalmente:

  1. "Exibida" ainda se escreve com "x", really?

É quanto a este último que eu pretendo falar.

A nossa ortografia mantém um bocado de irregularidades (no sentido de que nem toda letra ou seqüência de letras corresponde a um único som e vice-versa), em nome de conservar a etimologia das palavras. Por exemplo, exibir se escreve com x para manter a ortografia similar à palavra latina exhibere que lhe dá origem. Seria um argumento válido para a manutenção da ortografia vigente, se não fosse pelo fato de que esse princípio é seguido de maneira bastante inconsistente.

Por exemplo, diversas palavras que contêm os prefixos/preposições latinos ex- e extra- são escritas com x em português, tais como extrair, extraditar, etc. Mas estranho (do latim extraneus) se escreve com s, sem nenhum bom motivo (que me conste). Em um caso extremo, extensão se escreve com x, mas estender se escreve com s.

O h etimológico é mantido em início de palavra, mas não em outras posições: habitar se escreve com h, mas desabitar não. Que princípio justifica a manutenção em um caso e não no outro?

C tem som de [k] ou de [s] dependendo do contexto, o que ajuda a manter a ortografia de palavras como pouco e paucidade consistente, mesmo já fazendo uns mil e tantos anos que esses dois cs não têm mais o mesmo som. Por outro lado, o passado de fico é fiquei, uma mudança de c para qu que não ocorre por nenhum motivo etimológico, mas tão somente para contornar a irregularidade da pronúncia da letra c em português.

"Estão emburrecendo o português"

Na notícia que me linkaram sobre o assunto, pode-se encontrar um bocado de comentários dizendo que a proposta "emburrece o português", "é a legalização da burrice", "emburrecer a gramática", "E são regras, pelo amor de Deus! Isso não pode ser aprovado, são várias gerações que aprenderam a escrever seguindo uma regra", etc., etc. Eu não perdi muito tempo na referida seção de comentários porque a minha tolerância a essas coisas hoje em dia é muito pequena, mas deu para dar uma idéia. (Também havia uma boa dose de comentários pró-reforma no texto. Curiosamente, dei uma olhada na versão de papel da Zero Hora de hoje ontem, na seção de mensagens dos leitores, e haviam publicado uns quatro comentários recebidos via Facebook sobre o assunto, nenhum pró-reforma. Chamamos isso de imparcialidade.)

Esses comentários me corroem o fígado por duas razões. Em primeiro lugar: reformar a ortografia "emburrece a língua" (tanto quanto isso faz sentido)? Então o que fazer das reformas que eliminaram o ph, o h de exhibido, o y de pyrâmide, o ch de chaos, a consoante dupla de innovar? Elas "emburreceram a língua"? Não são tantas gerações assim que aprenderam a escrever em qualquer dada ortografia no Brasil; a última reforma foi aprovada em 2009, a anterior em 1971 e a anterior a essa em 1943.

Em segundo lugar: a ortografia não é a língua; estritamente, a ortografia não é sequer parte da gramática. Mesmo que o português deixasse de ser escrito, ou que fosse escrito em alfabeto cirílico, continuaria sendo a mesma língua, com as mesmas regras gramaticais. Evidentemente, as línguas costumam ter um sistema de escrita oficial associado a si, mas a língua é independente do sistema de escrita usado para escrevê-la (há inclusive línguas que possuem múltiplos sistemas de escrita oficiais).

Então tu defende a reforma?

Não. Muito embora eu discorde da noção de que a reforma "emburrece a língua", nem por isso eu aprovo a tal reforma. Na verdade eu sequer aprovo ou (tanto quanto me é possível) adoto a última reforma aprovada (como alguns leitores hão de ter notado pelo meu uso da grafia "idéia"). Na verdade eu tenho cá para mim sérias ressalvas quanto à existência de um órgão regulador da língua e da regulação da norma ortográfica por lei; o inglês vive sem um órgão regulador e ninguém sofreu danos deletérios por conta disso. (Ok, talvez a ortografia do inglês possa ser considerada um dano deletério.) Especialmente quando reformas são promulgadas sem qualquer consulta à população (isso é um problema geral da democracia representativa, but I digress).

Voltando especificamente à última reforma proposta: este pessoal do R7 resolveu falar com El Hombre Marcos Bagno, que levanta alguns pontos interessantes com os quais qualquer reforma que pretenda aproximar a escrita da fala tem que lidar. Por exemplo, em mestre o s tem som de "s", mas em mesmo tem som de "z"; deveremos escrever mezmo? Em alguns lugares, o s de mestre tem som de "s", em outros tem som de "x"; deveremos aceitar tanto mestre quanto mextre como grafias válidas?

De qualquer forma, a proposta tal como está sendo apresentada parece não ter sido muito bem pensada. Em particular, pelo menos na reforma tal como os jornais a estão apresentando, tanto c quanto q seriam mantidos com som de [k], e o som inicial de "rato" continuaria sendo escrito com "r" no início de palavra e "rr" no meio. Se é para fazer uma reforma radical como a que se está propondo, então que pelo menos adotem uma ortografia realmente lógica, e que as exceções, se houverem, sejam justificadas por algum guiding principle.

Alguns dos proponentes da reforma dizem que "A simplificação ortográfica é a porta para a eliminação do analfabetismo". Será? O Japão usa um sistema de escrita absurdamente complicado, que consiste de dois silabários e um conjunto de mais ou menos dois mil ideogramas, cuja leitura pode ser drasticamente diferente dependendo do contexto (今 se lê "ima" e 日 se lê "hi", mas 今日 se lê "kyō"), e no entanto o Japão tem uma taxa de alfabetização de mais de oito mil 99% (fonte). Claro que, pode-se argumentar, quanto mais complexo o sistema de escrita, mais tempo se perde apredendo-o que poderia ser usado de maneira mais útil para outras coisas, e mais inacessível ele se torna a quem não tem esse tempo para dedicar a aprendê-lo (e.g., quem não termina o ensino fundamental). Por outro lado, não me é claro se haveria um ganho significativo em termos de alfabetização passando da ortografia atual do português (que já é bastante próxima da fala) para uma ortografia mais regular.

Então tu defende o quê?

Eu não defendo nada. Isso aqui é para terminar que nem um daqueles episódios do South Park que começam com uma questão polêmica e no final se fica com a impressão de que ambos os lados da discussão estão errados.

(Ok, eu pessoalmente defendo o status quo. Aliás, o status quo ante, de volta à ortografia anterior à última reforma. Mas neste post aqui eu não tento defender nada.)

Caveat commentator

Eu tenho uma experiência prévia ruim com posts que escapam para o mundo selvagem e atraem comentários menos-que-positivos. Na verdade a negatividade da experiência em questão foi amplificada pelo fato de eu ter sido pego absolutamente de surpresa na ocasião; hoje em dia eu já posto psicologicamente preparado para estar errado na Internet. De qualquer forma, dado o teor dos comentários na notícia da Zero Hora linkada, parece-me boa precaução deixar um recado a quem pretender comentar o post: caso pretenda deixar sua opinião sobre a reforma, faça-o apenas se for apresentar argumentos para defender sua posição. Comentários do tipo "eu aprovo", "eu desaprovo", "oh, o emburrecimento da língua", "meu, tu mal consegue escrever um parágrafo em português sem tacar um termo em inglês no meio ou conjugar a segunda pessoa errado, quem é tu pra falar de português?", etc., serão sumariamente eliminados, e os autores serão sumariamente insultados (vou mostrar a língua para eles).

Update: Assista ao próximo capítulo de Orthographica: uma batalha entre fonemas e grafemas.

Comentários (11)

Marcus Aurelius, 2014-08-20 13:18:46 -0300 #

== Introdução ==

Comentando aqui por ser um dos causadores deste post e por me poupar de escrever um post extremamente semelhante no meu blog. Deve ser a terceira vez que deixo de postar algo por já existir algo quase igual aqui :-D

== Conhecimento e referências ==

Ponto a destacar: as pessoas postam qualquer coisa sem saber só para reforçar seu ponto de vista. "São várias gerações" foi facilmente desmentido, as últimas reformas ocorreram em intervalos de aproximadamente 30 ou 40 anos. Teu post mostra que tu sabe do que está falando e tem as referências necessárias para entendê-lo e aprofundar-se mais no assunto. Muito diferente da maioria das matérias de jornal e muitíssimo diferente de comentários em sites por aí...

== Fígado ==

Essas coisas também me corroem o fígado, mas por um dia ou dois acho que agüento (reforma de 2009: tremei diante do meu trema!), até porque flame wars em sites de notícias costumam morrer mais rápido (pelo menos eu deduzo... ao deixar a página inicial a matéria quase não recebe mais comentários) e também alguns comentários são tão idiotas e mal elaborados que não consigo me irritar e só dou risada.

== A possível nova reforma ==

Ela nem foi elaborada ainda, só tem umas idéias jogadas ao vento. Poderá sair uma coisa muito diferente no final das contas.

Posso até imaginar:

"Reforma de 2016: volta o acento diferencial de «pára». Fim."

Quanto ao mesmo/mezmo/meizmo/meijmo, não achei a colocação tão boa assim. Na verdade achei ruinzinha. Essas variações são previsíveis de acordo com o sotaque de cada um. O mesmo vale para o O átono no final de palavra com som de U: não precisa mudar para "mezmu" porque todo mundo sabe pronunciar e escrever a palavra, afinal, palavras terminadas em U átono são raras, quase tudo que na fala termina com U se escreve com O, tudo que termina com O é na prática falado com U, e não seria errado pronunciar com O mesmo (só ficaria com um sotaque estranho). Algo muito parecido vale para mesmo/mezmo/meijmo. Não sei se tem um termo técnico para isso, só me vem "alófono" na cabeça e me parece que não é exatamente o que quero dizer...

O problema real são aqueles casos onde todos falam igual e a grafia insiste em diferenciar (ge/je, gi/ji), e aqueles onde todos falam diferente mas a grafia oficial usa a mesma letra (tóxico, México)*. Colocar mezmo e culégio no meio da discussão de g/j e H mudo me parece ser técnica de distração (strawman?)...

*Ou pelo menos deveriam falar diferente... Tem gente que fala 'tɔʃiku e 'mɛʃiku mesmo... Hahahaha.

== Eu defendo o quê? ==

Hehe, também gostei da conclusão estilo South Park onde parece que está todo mundo errado.

Pessoalmente eu estou bem dividido. O fato da reforma de 1990/2009 ter realmente acontecido (desperdício!), mesmo ela tendo uma elaboração infantil (poderiam pelo menos ter tirado os etc. do texto, certas regras novas são menos lógicas que as antigas) me faz pensar:

[1] "Quer saber? Agora que já está tudo bagunçado mesmo corrijam esse negócio, e vamos consertar essa história de g/j, x/ch, z/s/ss/c/ç".

Também pensei [2] "Poderíamos fazer como o italiano, que não tem algumas firulas que nós mantemos (como H e X em homem/uomo, máximo/massimo), mas também sem fazer parecer outra língua". Nesse contexto já fiquei matutando como poderiam ser feitas "propostas moderadas" que ao mesmo tempo facilitassem, não parecessem miguxês, e não fossem tão microscópicas quanto as da reforma de 1990/2009.

E também [3] "Tá, mais uma reforma seria ridículo, aparem as arestas desta aqui (pára, hífen, trema) e pronto".


Marcus Aurelius, 2014-08-20 13:21:31 -0300 #

Que coisa, eu não postei nada no meu blog por pura preguiça de elaborar e estruturar o texto, mas meu comentário foi do tamanho de um post...

Sei lá; me parece mais fácil comentar do que escrever do zero. Não precisa escrever muita introdução, é só ir dando pitacos sobre cada item :-p


Marcus Aurelius, 2014-08-20 13:25:32 -0300 #

Ah, sobre a ortografia do inglês:

Se inglês não fosse a potência que é, eu não o aprenderia por hobby como já tentei fazer com outras línguas.

Reforma do inglês eu aprovaria sem tantas ressalvas.


Vítor De Araújo, 2014-08-20 13:57:17 -0300 #

Este blog aqui é só um plano de dominação mundial para roubar todos os teus posts na forma de comentários. Pronto, o segredo foi revelado. :P

Quanto ao mesmo vs mezmo, o argumento é meio fraco mesmo (acho que o "termo" é "[s] e [z] são alofones de /s/ em final de sílaba"). Uma situação parecida é a de "ô" vs. "ó", que é contrastivo em algumas situações ("o gosto" va. "eu gosto"), mas em outras não é e cada região escolhe uma variante diferente ("ôvelha" vs. "óvelha"); fica o problema de escolher qual variante é representada na ortografia (e por quê), ou se as duas formas seriam aceitas. Mas acredito que "ô" vs. "ó" seja contrastivo apenas na sílaba tônica, e nesse caso todos os dialetos concordam (ou não? (esses dias mesmo eu ouvi uma apresentadora de TV falando "nóme" com um "o" aberto; mas "ô" vs. "ó" não é contrastivo antes de "m" e "n", acho)).

Anyway, a proposta da reforma está bem vaga por enquanto. O projeto tem um site [1] que pede minha assinatura sem me dizer primeiro o que exatamente estão propondo; parece que "se o senhor tivesse buscado, teria encontrado no site inúmeros artigos com propostas concretas"[2], mas eu também procurei e não achei. Em qualquer caso, elas definitivamente não estão facilmente acessíveis a partir da página inicial, e eu acho meio sacanagem quererem assinaturas sem ter pelo menos um sketch da proposta facilmente acessível no site.

[1] http://simplificandoaortografia.com/

[2] http://simplificandoaortografia.com/index.php/observacoes-do-professor-everardo-leitao-ao-artigo-negocios-e-ideologia-juntos-contra-ortografia-do-jornal-estadao/


Vítor De Araújo, 2014-08-20 14:33:21 -0300 #

P.S.: Quanto ao inglês, eu tenho uma proposta para islandificação da ortografia inglesa que é o ouro do besouro e certamente teria ampla e imediata aceitação. Þat wóld bé a veri nís and proper þing. :P


Marcus Aurelius, 2014-08-20 15:14:02 -0300 #

O ouro do besouro é igual a "the bee's knees"? :-)

Pelo menos em [2], logo após o texto citado, eles admitem que a página é para acolher sugestões, então fora os itens espalhados em artigos, não existe mesmo um documento completo ainda.


Vítor De Araújo, 2014-08-20 16:48:25 -0300 #

Você quis dizer "þe bé's knés"? :P

Muito me intriga o paralelismo entre essas duas expressões. Uns tempos atrás eu tentei investigar se uma era derivada da outra ou se foi um desenvolvimento paralelo, mas no fim não descobri nada (não que a pesquisa tenha sido particularmente empenhada). :P

Side remark: essa expressão me foi introduzida por um de nossos usuais leitores, cujo nome não irei mencionar, mas que, sendo inquirido quanto ao melhor algoritmo de ordenação observado em certo trabalho de Estrutura de Dados, respondeu que "Quicksort, porque ele é o ouro do besouro, muito quick e 100% sort". :P


Marcus Aurelius, 2014-08-21 09:46:17 -0300 #

Agora que eu vi no dicionário... "alófono" é outra coisa bem diferente. Eu quis dizer "alofone" mesmo


John Gamboa, 2014-08-29 16:41:48 -0300 #

"Ok, talvez a ortografia do inglês possa ser considerada um dano deletério."

/\ lol... essa me pegou desprevinido u.u

Anyways... talvez o mesmo argumento lá do "mesmo/mejmo/mexmo/..." possa ser estendido (com "s") pra compreender palavras como "entender/intender" ou (pior) palavras como o "desprevinido/desprivinido" aqui de cima. Meu irmão, por exemplo, sempre escreve "encomodar". E pior... tem gente que diz (sem conhecimento) "adevogado" e "peneu". O que fazer nesses casos?

No mais, eu concordo totalmente (em gênero, número e _caso_ [não grau, porque, afinal, nunca vi palavra alguma concordar em grau v_v]) com o que foi dito xP E é verdade que me corroem os rins ter esse tipo de discussão tanto quanto mos corroem discutir sobre a "existência" ou não da palavra "presidenta" (que, se não existisse, não seria usada u.u).


Fernando, 2015-07-08 23:57:33 -0300 #

"Por exemplo, diversas palavras que contêm os prefixos/preposições latinos ex- e extra- são escritas com x em português, tais como extrair, extraditar, etc. Mas estranho (do latim extraneus) se escreve com s, sem nenhum bom motivo (que me conste). Em um caso extremo, extensão se escreve com x, mas estender se escreve com s."

Exsiste um motivo: as palavras que entraram no portugues pella via popular (i.e. as palavras do Latin Vulgar usadas polla população nativa da Gallaecia que foram se modificando atraves dos saeculos) têm a graphia simplificada/phonetica, herdada do portugues mediaeval. Já as palavras que entraram pella via erudita, ou seja, conscientemente copiadas das linguas classicas, têm a graphia etymologica. Isto gera essas interessantes dualidades do typo estender (via popular)/extensão (via erudita). É a ortographia nos ensinando a historia da lingua.

Tudo na ortographia tem um motivo, até as irregularidades. Só na pseudo-"ortografia" foneticista ha verdadeiras arbitrariedades.


Marcus Aurelius, 2015-08-05 10:53:56 -0300 #

Ortografia nos ensinando? Mas não me ensinou! Se tivesse ensinado não estaríamos discutindo isso, pois todos nós entenderíamos os motivos de ser assim ou assado.

O que acontece na realidade é que os professores dizem "é assim que se escreve e não discute, moleque", o que é uma atitude improdutiva. Mas nem sei se adiantaria explicar, porque muitas explicações são "post hoc", ou seja, tentam colocar lógica após uma seqüência de evoluções caóticas.


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