Elmord's Magic Valley

Software, lingüística e rock'n'roll. Às vezes em Português, sometimes in English.

Lisp stares at PHP

2015-09-02 22:11 -0300. Tags: comp, prog, pldesign, lisp, php, lows, in-english, em-portugues

[This post is also available in English.]

No último post, eu falei sobre o lows, um Lisp que compila para PHP 5.2 que eu comecei a desenvolver, e o que eu fiz até agora nele. Neste post, eu pretendo discutir algumas questões de design da linguagem, mais ou menos na mesma idéia da série Blueprints for a shell (só que bem menor (or so I hope)). Como já mencionei, não sei quando vou mexer no lows de novo (afinal, eu tenho certos afazeres mundanos, tais como um mestrado para terminar), mas deixo aqui documentadas algumas idéias. Comentários são sempre bem-vindos.

Tipos de dados

Os tipos de dados do PHP não casam muito bem (leia-se: não casam praticamente nada) com os tipos convencionais do mundo Lisp. O plano é tentar projetar a linguagem para permitir um estilo de programação suficientemente Lisp-like com os tipos existentes, ao invés de tentar recriar os tipos líspicos tradicionais, até porque isso não seria muito viável em termos de performance em PHP.

Arrays

Basicamente o único tipo de coleção que o PHP possui é o array, que faz tanto o papel de lista quanto de dicionário (e mesmo como dicionário, ele preserva a ordem das inserções). Eu não vejo nenhuma maneira eficiente de implementar um cons em PHP (adiciona um elemento a uma lista, criando uma lista nova, em espaço/tempo O(1)). Daria para criar uma classe Cons, mas o overhead seria muito grande, e além do mais o objetivo da linguagem é interagir facilmente com código PHP. So, arrays.

As operações map, filter, reduce e afins são independentes da representação da coleção e funcionam igualmente bem com arrays. O idioma de criar listas usando cons e recursão, por outro lado, cai por terra, mas ao mesmo tempo ele já não seria uma boa escolha em PHP porque chamadas de função são mais custosas, e não há tail call optimization. Na verdade tail call optimization não nos ajudaria nesse caso anyway, porque a recursão não fica in tail position; nessa situação, quando a performance é relevante, a galera costuma acumular os elementos da lista como um argumento da chamada recursiva e chamar reverse! no final do loop, mas se é para fazer isso, podemos passar um array como argumento e adicionar elementos com push. Anyway.

No futuro, map e afins podem ser inlined, o que torna essas construções basicamente equivalentes a loops. Até mesmo a closure passada como argumento para o map não precisa ser construída, e ao invés disso o corpo do lambda pode ser inserido diretamente no loop.

Há que se pensar na sintaxe equivalente ao Array(...) do PHP. Para listas simples, (array 1 2 3) é suficiente. O problema é o equivalente da forma Array("foo"=>1, "bar"=>2). Quando a chave é uma string literal simples, uma possibilidade seria usar keywords do Chicken: (array foo: 1 bar: 2). Quando a chave não é literal, algo como (array (=> key1 val1) (=> key2 val2)) poderia ser usado, mas isso é meio verboso. I don't know.

Uma bizarrice de arrays do PHP é que elas são passadas por cópia. Ao que parece, simplesmente não existe uma maneira de passar um array "by sharing", como os valores costumam ser passados em Lisp ou em Python. É possível criar uma referência (que na verdade é um alias) para uma variável que contém um array, mas a referência é à variável, não ao array; se outro valor é atribuído à variável, a referência/alias reflete a modificação. Acho que teremos que conviver com isso.

Símbolos

Não existe nada equivalente a símbolos em PHP. A principal vantagem de símbolos sobre strings é o fato de que eles podem ser comparados em tempo constante, mas o PHP não possui nada realmente equivalente ao operador eq dos Lisps, então acho que não teria muito propósito implementar símbolos em lows. 'foo poderia ser usado como abreviação para "foo", talvez.

Pharen tem um "operador" #foo, que gera a string correspondente ao nome da função foo. A razão desse operador é que Pharen converte hífens em nomes de função para underlines (o que é uma boa idéia em um Lisp→PHP), e o operador # produz uma string com o nome convertido. Talvez ' pudesse ser usado com o mesmo propósito em lows.

By the way, lows não tem um operador quote de verdade, pois o código de um programa lows não é representado por uma estrutura de dados de lows (i.e., do PHP). Yeah, lows não é uma linguagem homoicônica, e talvez nem merecesse o título de Lisp por conta disso. Macros em lows não seriam escritas em lows, mas sim em (Chicken) Scheme, mas veremos isso mais adiante.

(Qual seria então o significado de '(+ 1 2) em lows? Erro de sintaxe? Uma abreviação de (array '+ '1 '2)?)

Miscelânea

Não há muito o que dizer sobre os demais tipos (números, strings, booleanos, e NULL). PHP converte loucamente entre tipos, o que é meio desagradável, mas não há muito o que fazer, a menos que queiramos inserir checks antes do uso de qualquer operação. (Isso poderia ser uma opção de compilação, útil para debugging, talvez.)

Operadores

Operações aritméticas e afins em Lisp costumam ser funções, e não operadores especiais. Porém, não queremos ter que chamar uma função em lows para realizar operações aritméticas, pois o custo de uma chamada de função em PHP é alto. (Mesmo Lisps costumam otimizar essas chamadas quando é possível determinar os tipos dos argumentos em tempo de compilação.) Por outro lado, seria bom podermos passar + e afins como argumento para outras funções. Uma possível solução seria expandir '+ para (lambda (x y) (+ x y)), mas isso fixa o número de argumentos do operador, enquanto o ideal é que (+ 1 2 3) seja possível e seja traduzido para 1+2+3. Outra possibilidade seria ter tanto uma função, definida na biblioteca padrão, quanto um operador especial, e o compilador decidiria qual usar dependendo do caso. Mas não tem por que incluir uma função para cada operador na biblioteca padrão, se o próprio compilador pode gerar o lambda com o código apropriado automaticamente quando necessário.

A maioria dos operadores do lows seriam equivalentes diretos, e teriam o mesmo nome, dos operadores do PHP. As exceções seriam:

Os operadores binários têm um detalhe extra: x || y em PHP sempre retorna um booleano, enquanto em Lisp (or x y) costuma retornar x se ele é verdadeiro, e y caso contrário. Daria para traduzir (or x y) para x? x : y (com o detalhe de que x não pode ser avaliado duas vezes), mas isso meio que estraga a idéia de tradução direta (os condicionais de ifs teriam uma cara bizarra no código resultante). Talvez o compilador pudesse detectar quando o and/or está sendo usado como condicional de um if e traduzi-lo para &&/|| nesses casos.

De qualquer forma, o que o PHP acha que é verdadeiro é diferente do que um Lisp normalmente acha que é verdadeiro: em Lisp, normalmente o valor booleano falso (ou a lista vazia) é considerada como falso, e tudo o mais é considerado verdadeiro (inclusive 0, a string vazia, etc.). Esse comportamento inclusive faria mais sentido em PHP, que possui funções como strpos que devolvem um índice numa string (que pode ser 0) ou false. Mas não adiantaria mudar só o and, teria que mudar o comportamento do if também. Tem que ver isso aí...

Funções

Funções em PHP não verificam se o número de argumentos passados corresponde ao número de parâmetros declarados. Poderia haver uma opção de compilação para inserir um check no começo de cada função.

While we are at it, poderíamos permitir declarar os tipos dos argumentos e adicionar checks no começo da função, ou verificar e emitir warnings em tempo de compilação quando possível. Mas isso ficaria para o futuro distante.

Muito me alegraria ter keyword arguments em lows. Eles poderiam ser passados como um array, i.e., (f x y a: 1 b: 2) seria equivalente a (f x y (array a: 1 b: 2)), e no corpo da função referências a a seriam traduzidas para referências à chave no array.

Variáveis globais e constantes

O plano original era que um acesso a uma variável não declarada localmente seria interpretado como um acesso à variável global de nome correspondente. Porém, estive pensando se não seria melhor usar um prefixo ou outra convenção para nomear variáveis globais (e.g., *foo*, a la Common Lisp, ou $foo, a la Ruby). A vantagem seria poder detectar erros de digitação em tempo de compilação, ao invés de assumir que o nome não declarado se trata de uma variável global.

Outro problema são as constantes globais. O Pharen aparentemente decide se um nome é uma constante ou uma variável exigindo que constantes sejam escritas em maiúsculas. ($_SERVER e afins também são escritos em maiúsculas, mas o Pharen usa um operador especial $ para acessar essas variáveis.) Nada no PHP exige que o nome de uma constante seja totalmente em maiúsculas, entretanto. Uma possibilidade seria usar +nome+, uma convenção usada por alguns programadores Common Lisp. I don't know. (error-reporting +E-ALL+)? Talvez (error-reporting #E_ALL)? (error-reporting <E_ALL>)?

Namespaces

Um dialeto de Lisp é classificado como Lisp-1 ou Lisp-2 dependendo de se nomes de funções e de variáveis vivem em um mesmo namespace (Lisp-1), ou se dois namespaces separados são usados (Lisp-2). PHP é mais próximo de um Lisp-2 do que de um Lisp-1, mas a distinção não é bem a mesma, pois em PHP variáveis possuem um prefixo que as identifica ($), enquanto em Lisp a posição do nome em uma chamada determina o namespace a ser utilizado (se o nome aparece como primeiro elemento em uma lista entre parênteses, ele é um nome de função; caso contrário, é uma variável).

Para o lows ser um Lisp-1, seria necessário determinar se (f x y) deveria ser traduzido para f($x, $y) ou $f($x, $y). No geral, isso não é possível (o compilador lows não tem conhecimento dos nomes definidos fora do arquivo que está compilando). Assim, um Lisp-2 é uma escolha mais natural: (f x y) sempre traduz para f($x, $y). Para obter o equivalente de $f($x, $y), i.e., para usar uma variável como a função a ser chamada, deve-se usar um operador especial, normalmente chamado funcall nos Lisps: (funcall f x y).

Em PHP 5.2, $f() só funciona se $f é uma string contendo o nome da função a ser chamada; não é possível chamar closures criadas com (lambda ...) dessa maneira. Por outro lado, call_user_func($f, ...) funciona tanto quando $f é uma string quanto com outros valores chamáveis. Como queremos que funcall funcione em ambos os casos, funcall deve ser traduzido para call_user_func.

A situação contrária ao funcall, i.e., quando se quer usar uma função nomeada como argumento para outra, é coberta pelo nosso operador 'foo, que produz uma string com o nome (convertido) da função foo. Como PHP não possui funções de primeira classe nem declarações locais de função, a string com o nome da função é suficiente para identificar a que função está se referindo.

Classes, métodos e bagulheiras

Definições de classes e métodos são relativamente straightforward. (defclass Foo atributos/métodos...) não tem por que ser muito diferente da construção equivalente em PHP. Podemos adicionar algumas abreviações, e.g., permitir definir um construtor padrão ao invés do costumeiro $this->x = $x; $this->y = $y; … do PHP.

A bagunça começa na hora de escolher uma sintaxe para chamada de métodos e acesso a atributos. Pharen usa algo como (-> objeto (método args...)), mas isso é meio verboso. Uma solução seria permitir (objeto->método args...) como uma abreviação, no caso mais comum em que objeto é uma variável, mas eu prefiro . para isso ao invés de ->. By the way, e se eu quiser um método cujo nome está em uma variável, i.e., $objeto->$método(args...)? Suponho que em Pharen seja possível escrever (-> objeto ($método args...)), que é como eles resolvem o problema do funcall, mas meh, não é assim que lows funciona – e se eu quiser uma expressão ao invés de uma variável para computar o nome do método? Que tal (-> objeto (funcall método args...))? Mas agora eu vejo que toda essa sintaxe conflita com a sintaxe para acesso de atributos. Em Pharen, (-> objeto nome) é equivalente a $objeto->nome. Novamente, para usar um nome vindo de uma variável, pode-se usar $nome, mas, novamente, isso não permite usar uma expressão para calcular o nome do atributo; (-> objeto (computa-nome)) seria interpretado como $objeto->computa_nome().

So. Estou com a sensação de que o adequado em lows seria que $obj->nome fosse algo como (-> obj 'nome), com o nome quoted. Sem o quote, nome seria avaliado como uma expressão que produz um nome. Quanto a chamada de métodos, talvez o jeito seja usar um operador distinto do usado para atributos. Meh. Independentemente dos operadores escolhidos, obj.nome seria considerado uma abreviação para (-> obj 'nome), já que acredito que acesso com um nome fixo a um objeto em uma variável pré-determinada seja o caso mais comum. E (obj.método args...) seria uma abreviação para $obj->método(args...). Isso tudo requer mais pensação.

Analogamente, o argumento do operador new também deveria ser quoted: (new 'Foo), não (new Foo). Nesse sentido, as operações do lows seriam mais parecidas com o make-instance e slot-value do CLOS do que com o Pharen. Now, o CLOS usa (método objeto args...) para chamadas de métodos (que na verdade são multi-métodos; o objeto é um argumento como os demais, que tambem podem ser especializados para diferentes classes). O problema de adotar essa sintaxe em lows é que é necessário saber que método é um método e não uma função para decidir que código PHP gerar. Uma possiblidade seria usar (.método objeto args...). Tem que ver isso aí. Outra situação a ser considerada é quando queremos passar um método como argumento para uma função (i.e., o equivalente do Array($obj, "método") do PHP). Hmmrgh...

Falando de abreviações, acho que seria uma boa adotar @nome como uma abreviação de $this->nome, a la Ruby. (@método args...) poderia ser abreviação de $this->método(args...).

[Um problema de usar (. objeto 'nome) é que . é sintaxe especial em Scheme, e atualmente eu uso a função read do Scheme para ler o código-fonte lows de um arquivo. Mais adiante, é de se pensar escrever um reader próprio para o lows. Isso também teria a vantagem de permitir manter informação de linha e coluna nas formas lidas.]

Macros

Como o compilador é escrito em Chicken Scheme, e não PHP (e nem por sonho eu pensaria em escrevê-lo em PHP (embora talvez reescrevê-lo em lows no futuro não seja algo de se descartar)), e não possui um interpretador próprio, ele não é capaz de rodar código lows em tempo de compilação. Isso exclui a possibilidade de macros procedurais nativas em lows. O meu plano, por ora, é permitir que macros em Scheme possam ser escritas, pois essas podem ser executadas pelo compilador. Por um lado é bizarro (em um Lisp) escrever macros em uma linguagem diferente da linguagem de programação, mas por outro isso tem a vantagem de permitir usar todas as funções do Chicken na geração de código. Uma outra possibilidade (não-exclusiva) é ter um sistema de macros baseado em casamento de padrões, como o syntax-rules do Scheme, que não requer a execução de código lows em tempo de compilação.

Além das macros que recebem código lows e produzem código lows, também seria interessante ter uma construção para emitir código PHP diretamente, similar ao asm do GCC e afins. No caso mais simples, a construção seria usada com uma string constante, mas nada impediria que expressões arbitrárias em Scheme pudessem ser usadas para gerar o código PHP.

Enough talk

Acho que era isso por enquanto. Sugestões, opiniões, etc., são bem-vindos.


[Version in English follows.]

In the last post, I talked about lows, a Lisp which compiles to PHP 5.2 which I started to develop, and what I got done so far. In this post, I intend to discuss some design questions of the language, more or less in the same spirit of the Blueprints for a shell series (in Portuguese) (except much shorter (or so I hope)). As I mentioned, I don't know when I'm going to work on lows again (after all, I've got some mundane tasks to do, such as a Master's to finish), but I'll leave some ideas documented here. Comments are always welcome.

Data types

The PHP data types don't match very well (read: mostly don't match) the conventional types from the Lisp world. The plan is to try to design the language to enable a sufficiently Lisp-like programming style with the existing types, rather than trying to recreate the traditional Lispy types in PHP, even more because that would not be very feasible in terms of performance in PHP.

Arrays

Basically the only type of collection PHP has is the array, which fills the roles of both lists and dictionaries (and even as a dictionary, it preserves insertion order). I don't see any efficient way to implement cons in PHP (adds an element to a list, creating a new list, in space/time O(1)). It would be possible to create a Cons class, but the overhead would be too large, and moreover the goal of the language is to interact easily with PHP code. So, arrays.

The map, filter, reduce and similar operations are independent of the representation of the collection and work equally well with arrays. The idiom of building lists using cons and recursion, on the other hand, is right out, but at the same time it wouldn't be a good choice in PHP anyway because function calls are more costly, and there is no tail call optimization. Actually, tail call optimization wouldn't help in this case anyway, because the recursion is not in tail position; in this situation, when performance matters, people usually accumulate the elements of the list in an argument to the recursive call, and call reverse! at the end of the loop, but if we're going to do that, we can equally well pass an array as the argument and accumulate the elements with push. Anyway.

In the future, map and company can be inlined, which makes these constructions basically equivalent to loops. Even the closure passed as an argument to map does not need to be created, and instead the body of lambda can be inserted directly in the loop.

We have to think about the syntax equivalent to PHP's Array(...). For simple lists, (array 1 2 3) works. The problem is the equivalent of the form Array("foo"=>1, "bar"=>2). When the key is a simple literal string, one possibility would be to use Chicken keywords: (array foo: 1 bar: 2). When the key is not a literal, something like (array (=> key1 val1) (=> key2 val2)) could be used, but that is somewhat verbose. I don't know.

One oddity of PHP arrays is that they are passed by copy. Apparently, there simply is no way to pass an array "by sharing", as values are usually passed in Lisp or Python. It is possible to create a reference (actually an alias) to a variable containing an array, but the reference is to the variable, not to the array; if another value is assigned to the variable, the reference/alias will reflect the modification. I guess we'll have to live with that.

Symbols

There is nothing equivalent to symbols in PHP. The main advantage of symbols over strings is that they can be compared in constant time, but PHP doesn't really have anything equivalent to the Lisp eq operator, so I think there wouldn't be much to gain in implementing symbols in lows. 'foo could be used as an abbreviation for "foo", perhaps.

Pharen has an "operator" #foo, which yields the string corresponding to the name of the function foo. The reason for that operator is that Pharen converts hyphens in function names to underscores (which is a good idea in a Lisp→PHP), and the # operator yields a string with the converted name. Perhaps ' could be used to the same purpose in lows.

By the way, lows does not have a true quote operator, as the code of a lows program is not represented by a lows (i.e., PHP) data structure. Yeah, lows is not a homoiconic language, and perhaps doesn't even deserve the name "Lisp" because of that. Macros in lows wouldn't be written in lows, but rather in (Chicken) Scheme, as we'll see later.

(What would be the meaning of '(+ 1 2) in lows? Syntax error? Shorthand for (array '+ '1 '2)?)

Miscellaneous

There isn't much to say about the remaining types (numbers, strings, booleans, and NULL). PHP converts nilly-willy between types, which is somewhat annoying, but there is not much we can do, unless we want to insert checks before every operation. (This could be a compilation option, useful for debugging, perhaps).

Operators

Arithmetic operations and the like in Lisp are usually functions, not special operators. However, we don't want to have to call a function in lows to perform arithmetic operations, because the cost of a function call in PHP is high. (Even Lisps usually optimize these calls away when it is possible to determine the types of the operands at compile time.) On the other hand, it would be nice to be able to pass + and the like as arguments to other functions. One possibility would be to expand '+ to (lambda (x y) (+ x y)), but that would fix the number of arguments of the operator, whereas ideally (+ 1 2 3) should work and translate to 1+2+3. Another possibility would be to have both a function, defined in the standard library, and the special operator, and the compiler would decide which to use depending on the situation. But there is no reason to include a function for each operator in the standard library, when the compiler can automatically generate the lambda with the appropriate code as needed.

Most lows operators would be directly equivalent, and would have the same name, as the PHP operators. The exceptions would be:

The binary operators have an extra detail: x || y in PHP always returns a boolean, whereas in Lisp (or x y) usually returns x if it is true-ish, and y otherwise. It would be possible to translate (or x y) to x? x : y (taking extra care not to evaluate x twice), but that kinda messes with the idea of straightforward translation (the conditions of if blocks would look weird in the compiled code). Maybe the compiler could detect when and/or are being used as the condition of an if and translate them to &&/|| in those cases.

In any case, what PHP thinks is true is at odds with what Lisps usually think is true: in Lisp, usually the false boolean value (or the empty list) is considered false, and everything else is considered true (including 0, the empty string, etc.). This behaviour would actually make more sense in PHP, which has functions such as strpos which return an index into a string (which may be 0) or false. But then it wouldn't be enough to change the behavior of and, we'd have to change the behavior of if too. Gotta think about it.

Functions

PHP functions don't check if the number of arguments in a call match the number of declared parameters. There could be a compilation option to insert a check at the beginning of each function.

While we are at it, we could allow declaring the types of the parameters and add checks at the beginning of the function, or verify and emit warnings at compile time if possible. But that would be left for the distant future.

It would much gladden me to have keyword arguments in lows. They could be passed in an array, i.e., (f x y a: 1 b: 2) would be equivalent to (f x y (array a: 1 b: 2)), and in the function body references to a would be translated to array dereferences.

Global variables and constants

The original plan was that an access to a variable not declared locally would be interpreted as an access to the global variable with that name. However, I have been thinking if it wouldn't be better to use a prefix or some other convention to name global variables (e.g., *foo* as in Common Lisp, or $foo as in Ruby). The advantage would be to be able to detect mistyped variable names at compile time, rather than assuming that the undeclared name refers to a global.

Another problem is global constants. Pharen seems to decide if a name is a constant or a variable by requiring all constants to have all-uppercase names. ($_SERVER et al. are all-uppercase too, but Pharen uses a special operator $ to access those.) Nothing in PHP requires that the name of a constant be all-uppercase, though. A possibility would be to use +name+, a convention used by some Common Lisp programmers. I don't know. (error-reporting +E-ALL+)? Maybe (error-reporting #E_ALL)? (error-reporting <E_ALL>)?

Namespaces

Lisp dialects are usually classified as Lisp-1 or Lisp-2 depending on whether function and variable names live in a single namespace (Lisp-1), or if there are two separate namespaces for them (Lisp-2). PHP is closer to a Lisp-2 than a Lisp-1, but the distinction is not quite the same, because in PHP variable names have a prefix identifying them ($), whereas in Lisp the position of the name in a call determines which namespace is to be used (if the name appears as the first element of a parenthesized list, it is a function name; otherwise, it's a variable name).

For lows to be a Lisp-1, it would be necessary to determine if (f x y) should be translated to f($x, $y) or $f($x, $y). In general, this is not possible (the lows compiler has no knowledge of the global names defined outside the file being compiled). Therefore, a Lisp-2 is a more natural choice: (f x y) always translates to f($x, $y). To get the equivalent of $f($x, $y), i.e., to use a variable as a function to be called, a special operator must be used, usually named funcall in Lisps: (funcall f x y).

In PHP 5.2, $f() only works if $f is a string containing the name of the function to be called; it is not possible to call closures created with (lambda ...) in this way. On the other hand, call_user_func($f, ...) works equally well when $f is a string and with other callable values. Since we want funcall to work in both cases, funcall must be translated to call_user_func.

The opposite situation to funcall, i.e., when we want to pass a named function as an argument to another, is covered by our ' operator, which yields a string with the (converted) name of the function foo. Since PHP does not have first-class functions or local function declarations, a string with the function name is enough to identify which function is being referenced.

Classes, methods, and stuff

Class and method definitions are relatively straightforward. (defclass Foo attributes/methods...) doesn't have to be very different from the equivalent construction in PHP. We can add some shorthands, e.g., allow a default constructor instead of the usual $this->x = $x; $this->y = $y; … in PHP.

The mess begins when choosing a syntax for method calls and attribute access. Pharen uses something like (-> object (method args...)), but that is somewhat verbose. A solution would be to allow (object->method args...) as a shorthand for the most common case when object is a variable, but I prefer . for this instead of ->. By the way, what if I want to use a method whose name is in a variable, i.e., $object->$method(args...)? I suppose Pharen allows (-> object ($method args...)), which is how they solve the funcall problem, but meh, that's not how lows works – what if I want an expression instead of a variable to compute the method name? What about (-> object (funcall method args...))? But now I see that all this syntax conflicts with the syntax for attribute access. In Pharen, (-> object name) is equivalent to $object->name. Again, to use a name from a variable, it allows $name, but, again, this does not allow using an expression to compute the name of the attribute; (-> object (compute-name)) would be interpreted as $object->compute_name().

So. I have the feeling that the appropriate thing in lows would be that $obj->name should be something like (-> obj 'name), with the name quoted. Without the quote, name would be evaluated as an expression yielding a name. As for method calls, perhaps the solution is to use a distinct operator from that used for attribute access. Meh. Regardless of the operators chosen, obj.name would be considered shorthand for (-> obj 'name), as I think access with a fixed name to an object in a known variable is the most common case. And (obj.method args...) would be shorthand for $obj->method(args...). All of this requires more thinking.

Analogously, the argument for the new operator should also be quoted: (new 'Foo), not (new Foo). In this sense, lows's operations would be more similar to make-instance and slot-value from CLOS than to Pharen. Now, CLOS uses (method object args...) for method calls (which are actually multi-methods; object is an argument just like the others, which can also be specialized for different classes). The problem of adopting this syntax in lows is that it requires knowing that method is a method and not a function to decide which PHP code to emit. One possibility would be using (.method object args...). Gotta think about that. Another situation to be considered is when we want to pass a method as an argument to a function (i.e., the equivalent of PHP's Array($obj, "method")). Hmmrgh...

Speaking of shorthand, I think it would be a good idea to adopt @name as shorthand for $this->name, a la Ruby. (@method args...) could be shorthand for $this->method(args...).

[One problem of using (. object 'name) is that . is special syntax in Scheme, and currently I use Scheme's read function to read lows source code from a file. Later on, one might think about writing a proper reader for lows. That would also have the advantage of allowing the compiler to keep track of line and column information.]

Macros

Because the compiler is written in Chicken Scheme, and not PHP (and I wouldn't even dream of writing it in PHP (though perhaps rewriting it in lows someday is not entirely unthinkable)), and has no lows intepreter, it is not capable of running lows code at compile time. This excludes the possibility of native procedural macros in lows. My plan, for now, is to allow writing macros in Scheme, as those could be run by the compiler. On the one hand it is somewhat weird (for a Lisp) to write macros in a different language, but on the other hand this has the advantage of allowing one to use all Chicken functions in code generation. Another (non-mutually-exclusive) possibility is to have a macro system based on pattern matching, like Scheme's syntax-rules, which does not require running lows code at compile time.

Beside macros which take lows code and yield lows code, it would also be interesting to have a construction to emit PHP code directly, similar to asm in GCC and the like. In the simplest case, the construction would be used with a constant string, but nothing would exclude using arbitrary Scheme expressions to generate PHP code.

Enough talk

I think that's it for now. Suggestions, opinions, etc., are welcome.

Comentários / Comments (21)

Le communiste, 2015-09-03 02:57:00 -0300 #

Tem que parar com essas cachaça braba.


Elke Maravilha, 2015-09-04 18:42:52 -0300 #

^ ^ ^ ^ ^ ^ ^
Isso aí é amadorismo demais, e sem nenhuma razão social. Declaro abertas as "décima-quartas" cruzadas de ouro. - Papa Leão XXXXII, o de Judá


O justiceiro, 2015-09-05 05:49:51 -0300 #

Então prova! Te desafio para um combate! Escolha suas armas!


Vítor De Araújo, 2015-09-05 10:53:14 -0300 #

O cara sabe que está fazendo alguma coisa certo quando os comentários nos últimos 4 posts não têm qualquer relação com os posts. :P


Kotal Khan, 2015-09-05 22:10:45 -0300 #

A única "quadréplica" que me vem à mente diante de "então prova!" como tréplica pro que havia sido escrito anteriormente é: "Você é merecedora[...] para morrer pelas minhas mãos". Espero que tu não equalize a minha cara.

Quanto a este ilustre blogueiro, futuro apresentador da MTV e guru espiritual dos oprimidos, só posso dizer: ACH!


Kotal Khan, 2015-09-05 22:13:25 -0300 #

p.s.: http://24.media.tumblr.com/tumblr_ltql06wqDa1r4gam0o1_500.jpg


Kotal Khan, 2015-09-05 22:15:38 -0300 #

p.p.s.: Sugestão:
Dá-me thumbnails... Sr. Blogueiro...
Dá-me thumbnails... Sr. Blogueiro...
Dá-me thumbnails para ver umas imagens
Neste site todo branco
E que tem tantas via-gens...


Vítor De Araújo, 2015-09-06 00:02:48 -0300 #

Thumbnail do quê, se não tem imagem nenhuma no blog? :P


El Greco Kotal Khan, 2015-09-06 14:18:18 -0300 #

Thumbnails das imagens que vossos queridos e estimados e amados e desejados leitores se vos postam em vosso ilustre e renomado flogão. #brigado #denada


Vítor De Araújo, 2015-09-07 23:15:42 -0300 #

Isso certamente vai contribuir para a relevância dos comentários, yeah. :P


=(, 2015-09-08 03:24:07 -0300 #

pow cara... onde está a liberdade de expressão?


Vítor De Araújo, 2015-09-08 07:14:02 -0300 #

Isso aí é mais ou menos que nem eu deixar a galera pichar minha parede, e aí reclamarem de falta de liberdade de expressão porque eu não forneço o spray. :P


Vítor De Araújo, 2015-09-08 07:27:04 -0300 #

P.S.: Falou a pessoa que tem moderação nos comentários do blog. :P


Marcus Aurelius, 2015-09-08 10:45:40 -0300 #

Tenho uma sugestão de funcionalidade:

Adicionar a forma "(loop ......)", e dentro dela será possível programar numa linguagem imperativa que é uma mistura do loop do Common Lisp e do próprio PHP. Vai ser um sucesso e não vai ser nem um pouco confuso. Todo o meu código seria escrito dentro de um loop.


Akapuli Akapuli Akapuli Akapuli GOOO GOOO GOOO GOOO uuuuuuum,mmGOOOOOOOOO, 2015-09-08 11:58:46 -0300 #

42.
Eu acho que esse esquema de não liberar pra mãe joana é indigno das perna porq eu qui tbm tava nessa mas não queria que não mde xio u entao libera ae p noiz vlw so seu fan desde prmero post aquel ue gu falva de como facil pa escrever en ptgz pra commm no lisp


Akapuli Akapuli Akapuli Akapuli GOOO GOOO GOOO GOOO uuuuuuum,mmGOOOOOOOOO, 2015-09-08 11:59:08 -0300 #

\o/ \m/ Stay Rév. Stéi Tĝu


Vítor De Araújo, 2015-09-08 13:41:47 -0300 #

@Marcus: Acho que seria uma boa. Assim não precisa de nenhuma forma separada para emitir PHP. Se a pessoa quiser intercalar código PHP sem executar um loop é só escrever um 'break' no final. :P


Vítor De Araújo, 2015-09-08 13:49:00 -0300 #

@Marcus: É que nem o "do { ... } while (0)" do C, you see. Me parece bem dentro do espírito do PHP. :P


Pessoa que tem moderação nos comentarios do blog, 2015-09-08 18:36:26 -0300 #

Ah, só pra evitar spammer, mas eu publiquei até agora todos os comentários. E tenho 100% de aprovação dos leitores. Teve um dia que eu tive 90%, mas aí eu resolvi o assunto, digo... É bem livre por lá :D


Os Flame War, 2015-09-08 23:17:27 -0300 #

^ ^ ^ ^ ^
100% de aprovação nem o Saddam tinha. Talvez o Kim Il-Sung, mas é que ele é o Presidente Eterno e Grande Líder. Acho que isso é só mais uma das mentiras do governo fascista.

¡Abajo Carol! ¡Viva Zapata!


Apenas corrigindo, 2015-09-09 13:06:29 -0300 #

José da Silva


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