Elmord's Magic Valley

Software, lingüística e rock'n'roll. Às vezes em Português, sometimes in English.

Acentuação na língua portuguesa

2013-02-26 23:28 -0300. Tags: lang, em-portugues

No colégio a gente aprende dez mil regrinhas listando as inúmeras situações em que as palavras são acentuadas. Essa explicação da acentuação é muito mais complicada do que precisa ser, e o motivo é que ela parte de uma análise totalmente furada de por quê as palavras são acentuadas.

Basicamente, existem três "regras" que cobrem 95%* das palavras. Por padrão:

(Note que am e em seguidos de s viram ans e ens.)

E é isso, e tão somente isso. Se usa um acento quando a pronúncia da palavra sem o acento estaria errada (quem imaginaria?), e as regras de como se pronuncia uma palavra sem acento são bastante simples.

Exemplos:

Por outro lado:

Simples, hã?

E os outros 5%?

Monossílabos

O português tem uma propriedade curiosa: a sílaba tônica de palavas de uma só sílaba pode cair ou nessa sílaba (e portanto a palavra é oxítona, pois o acento cai na última (e única) sílaba), ou em lugar nenhum. Nossas regras cobrem os dois casos, com um pouquinho de imaginação:

Pelas nossas regras, se escrevemos de, a palavra cairia na primeira regra, e portanto a sílaba tônica seria a penúltima. Mas não há penúltima sílaba em uma palavra de uma sílaba só, e portanto a sílaba tônica cai em lugar nenhum, ou seja, a palavra é átona. Assim:

Exceção: Palavras de uma sílaba só que terminam em m ou ns não exigem acento, mesmo que sejam tônicas: bem, bens.

raiz vs. raízes

Nossas regras nos dizem a verdade mas não nos dizem tudo. Se escrevêssemos raizes, a palavra cairia na nossa primeira regra, e portanto seria paroxítona. Mas raízes é paroxítona, então o padrão já é o que queremos, e portanto não precisaria de acento, certo?

O problema é que a pronúncia se não houvesse o acento seria RAI-zes (com duas sílabas), não ra-I-zes (com três). Nesse caso o acento serve não só para indicar qual é a sílaba tônica, como também para dizer quais são afinal as sílabas da palavra. De qualquer forma, a idéia básica continua válida: usa-se o acento quando não queremos o padrão.

E nesse caso o padrão é dado pela seguinte regra: o português prefere ditongos decrescentes. Ditongos decrescentes são ai, ei, oi, ui, au, eu, iu, ou, isto é, aqueles em que primeiro vem a vogal, depois a semivogal. Normalmente, quando essas seqüências de vogais aparecem em uma palavra, o português prefere lê-las como ditongos decrescentes por padrão sempre que tem a oportunidade. Assim, se você escreve raizes, o português prefere juntar o ai numa sílaba só, formando um ditongo decrescente, e a pronúncia resultante é RAIzes. Como não é isso que queremos, colocamos um acento estratégico sobre o í, produzindo raízes. (É por esse mesmo motivo que escrevemos ai! que dor, mas ela foi embora.)

Fica então a pergunta: por que raiz se escreve sem acento? E a resposta é que a seqüência aiz não pode ocorrer dentro da mesma sílaba. A única consoante que pode ocorrer depois de um ditongo decrescente na mesma sílaba é s. Por isso, quando escrevemos raiz, a pronúncia não pode ser RAIz, numa sílaba só, porque o z não pode ir na mesma sílaba que o ai. Conseqüentemente, o z tem que ficar para a próxima sílaba, e como o z não pode ficar lá sozinho, ele leva o i com ele, produzindo ra-IZ.

Resumindo: raízes leva acento porque sem ele a pronúncia seria RAI-zes. raiz não leva acento porque não existe a opção de pronunciar RAIz, já que o ditongo decrescente se recusa terminantente a ser acompanhado por um z depois dele na mesma sílaba. O mesmo vale para juiz vs. juízes. (A palavra mais se pronuncia como uma sílaba só, pois o s pode ir depois do ditongo na mesma sílaba. Por outro lado, a palavra maiz, se existisse em português, se pronunciaria ma-IZ.)

De maneira análoga, sair não leva acento, pois não é possível ler essa palavra como SAIr. Mas (se eles) saírem leva, pois senão a pronúncia seria SAIrem.

Outros hiatos

Se escrevêssemos saude, a pronúncia seria SAU-de, porque, como já vimos, o português prefere ler o ditongo decrescente au do que separá-lo em duas sílabas. Como não é isso que queremos, usamos um acento: saúde. Da mesma forma, se escreve saída, pois a pronúncia é sa-Í-da, e não SAI-da.

Por outro lado, em um hiato do tipo coentro não é necessário acento, pois o hiato não pode ser confundido com um ditongo. E em Raul não vai acento porque, como vimos, não é possível ler aul como uma sílaba só em português, pois o ditongo decrescente só permite s depois dele na mesma sílaba.

Vogal + iu, vogal + ui

Seqüências do tipo aiu são ambíguas: tanto ai quanto iu são possíveis ditongos decrescentes. Conseqüentemente, tanto ai-U quanto a-Iu (rimando com partIU) seriam possíveis leituras. Qual delas o português prefere?

Pela ortografia antiga, a regra é simples: o último ditongo é escolhido. Assim, acentua-se bocaiúva (pois a pronúncia é bo-cai-Ú-va, não bo-ca-Iu-va), Piauí (pois a pronúncia é pi-au-Í, e não pi-a-Ui), feiúra (pois a pronúncia fei-Ú-ra, e não fe-Iu-ra). Por outro lado, não se acentua caiu, pois tendo que escolher entre juntar o ai ou o iu em uma sílaba só, o português prefere a segunda opção.

Pela ortografia nova, o português escolhe o primeiro ditongo, exceto se ele ocorrer na última sílaba. Assim, caiu continua sem acento, e Piauí continua com acento, mas feiura e bocaiuva perdem o acento.

éi, ói, éu

Por padrão, ei, oi, eu se pronunciam êi, ôi, êu. Logo, quando queremos que eles sejam pronunciados como éi, ói, éu, eles levam acento. Assim, fogaréu leva acento, mas morreu não.

éia, óia, óio

Pela ortografia antiga, esses tritongos seguem a mesma regra acima: levam acento quando são abertos, não levam quando são fechados. Assim, idéia leva acento, mas sereia não.

Pela ortografia nova, esses tritongos não levam acento. Por quê? Porque em Portugal eles são fechados. Assim, em nome da unificação ortográfica, se escreve tanto ideia quanto sereia sem acento. éi, ói, éu continuam sendo acentuadas quando não ocorrem em tritongos.

lêem, vôo

Pela ortografia antiga, as seqüências êe, ôo são acentuadas quando tônicas. Aparentemente essa regra só existe para fins estéticos, já que a pronúncia já estaria correta se não houvesse o acento. A ortografia nova elimina o acento nesses casos (e portanto se escreve leem, voo).

ã, ãe, ão, õe

Por padrão, ã e õ são tônicos quando ocorrem na última sílaba. Assim, manha se lê MAnha, mas manhã se lê maNHÃ. Quando não é isso que queremos, usamos um acento: órgão (não orGÃO), órfão (não orFÃO).

Por outro lado, ã e õ fora da última sílaba não afetam a acentuação. Assim, manhãZInha não exige acento.

história

Se por um lado o português gosta de ditongos decrescentes, por outro lado ele detesta ditongos crescentes (em que primeiro vem a semivogal, depois a vogal). Assim, ao ver a seqüência ia, o português prefere deixar o i e o a em sílabas separadas do que juntá-los em um ditongo crescente. Logo, se escrevêssemos historia, a pronúncia seria histoRIa.

(Curiosamente, a regra no espanhol é o contrário: em português se escreve história e Maria, em espanhol historia e María. E democracia se escreve igual em ambas as línguas, mas em português se lê democraCIa e em espanhol demoCRAcia.)

rainha, tainha, fuinha

Seqüências do tipo vogal + inha não levam acento, apesar de ai, ui, etc. nesses casos serem hiatos. Motivo? Palavras do tipo FUI-nha não existem em português (se você tentar pronunciar FUI-nha, provavelmente vai dizer algo indistinguível de funha). Logo, só a pronúncia com o hiato é "possível", e portanto o acento é desnecessário.

gu, qu

água leva acento. Por quê? Porque ua é um ditongo crescente, e como já vimos, o português tem um desapreço generalizado por ditongos crescentes, e portanto a pronúncia sem o acento seria a-GU-a. Da mesma forma, o adjetivo oblíquo leva acento, mas o verbo (eu) obliquo (o-bli-QU-o) não.

A bagunça acontece com as seqüências gue, gui, que, qui. Por razões históricas, normalmente o u nessas seqüências não é lido. Porém, em alguns casos ele é lido, e é aí que começa a sujeira.

Pela ortografia antiga:

Pela nova ortografia:

Isso tudo é uma sujeira fantástica, e eu não tenho mais nada de bom para dizer a respeito.

UPDATE: Aparentemente, pela ortografia nova, pode-se escrever eu arguí (antigo argüi), com acento agudo para distingui-lo de ele argui (antigo argúi). O conjugador de verbos do Dicionário Priberam apresenta o acento quando configurado para usar a nova ortografia (selecionando-se o ícone dAO no topo da página), e os slides desta pessoa aleatória na Internet dizem que ambas as ortografias (com e sem acento) são válidas. Não encontrei essa regra da ortografia explicitamente mencionada em lugar nenhum, entretanto. (Obrigado, Marcus Aurelius.)

Acentos diferenciais

Algumas palavras levam acento simplesmente para diferenciá-las na escrita de alguma outra palavra com a mesma pronúncia. Nesses casos não há um "princípio universal" por trás, e o jeito é lembrar quais palavras têm acento diferencial. Muitos desses acentos (e.g., ele pára de correr vs. eu vou para casa) foram eliminados na nova ortografia (produzindo manchetes ambíguas do tipo "Chuva para São Paulo"), enquanto outros permanecem (e.g., ele tem, eles têm).

Acredito que com isso cobrimos 99,99995% dos casos.

E por que tanta firula?

Por uma razão mui nobre: economizar seu braço. Na grande maior parte dos casos, as regras são tais que a pronúncia mais freqüente é a padrão, e as menos freqüentes exigem acento. Por exemplo, como vimos, palavras terminadas em a, e, o são paroxítonas por padrão. Por que essas vogais especificamente? Por que não todas? A resposta é que há uma dúzia de tempos verbais terminados em i ou u (vendi, vendeu) que desse jeito não precisam de acento. Da mesma forma, ditongos decrescentes são mais comuns do que hiatos, e portanto acentuamos os hiatos (quando necessário para diferenciá-los de ditongos) e deixamos os ditongos sem acento.

Conclusão

As regras que nós aprendemos no colégio (e que são apresentadas nas gramáticas tradicionais da língua) recitam quando se usam acentos, mas não explicam por que se usam acentos nessas situações. Quase todas as "regras" são conseqüências lógicas de meia dúzia de princípios básicos que dizem como as palavras são lidas por padrão se não forem acentuadas.

Espero que este post possa ser útil para alguma alma que esteja tentando entender os mistérios da acentuação da língua portuguesa (que não têm nada de misterioso quando explicados direito).

[Observação: por uma questão de decência e auto-respeito, este blog é escrito segundo a ortografia antiga.]

_____

* E 43% das estatísticas são inventadas na hora.

Comentários / Comments (14)

Marcus Aurelius, 2013-02-28 23:27:21 -0300 #

Aprendi essas coisas quando criança por ter muita curiosidade sobre o assunto e consultar várias fontes (lembro que foi o programa do Pasquale na TV que me ensinou essa regra do "o mais comum é sem acento" - ufa, houve alguém sensato na normatização da nossa ortografia, em algum tempo, em algum lugar no passado).

Se dependesse só da minha escola, conheceria só a decoreba mesmo, e não o porquê.

Eu me pergunto quantas matérias seriam mais interessantes se fossem ensinadas melhor. Talvez eu gostasse de história e literatura... (ou não)

Mas como só se vive uma vida (escolar), tenho a esperança que existam por aí professores ensinando do jeito legal.

Também é curioso como o português prefere ditongos decrescentes, enquanto os crescentes ficam às vezes indistinguíveis de hiatos - eu pelo menos não diferencio "i-ogurte" de "yogurte". Outras línguas parecem dar bem mais importância a ditongos crescentes: japonês: wa, ya, yo, yu; francês: oi (wa), oui, ui; espanhol: fui (fuí); etc.

Queria que a ortografia fosse feita por alguém com uma espécie de TOC. Ia ficar bem organizadinho, sem bagagens históricas nem ambigüidades. Essa história de ortografia feita por gente que acha que irregularidades são "beleza" já cansou. E repetem tanto isso que continuam nascendo outros que pensam assim...

Queria ver se a física usasse fórmulas erradas pelo valor etimológico... Hnf.


Vítor De Araújo, 2013-03-01 00:19:07 -0300 #

O senhor teve sorte. Eu descobri essas regras sozinho (e a segunda seção eu determinei empiricamente enquanto escrevia o post). :P Acho que deviam pôr programadores a escrever as gramáticas... :P

E confesso que achei literatura interessante (ou quase) no semestre em que fiz Letras.

O chato de tentar criar uma ortografia inambígua para o português é que tem certas palavras que admitem múltiplas pronúncias dependendo da região. Então, por exemplo, o camarada decide usar caracteres separados pra "ô" e "ó" (e.g., "gôsto" vs. "gósto"), mas aí no nordeste se diz "óvelha" e no sul "ôvelha". Aí tem-se que ou admitir duas ortografias, ou escolher uma pronúncia como a "padrão", problema que a bagunça ortográfica atual não tem. :P Mas que dava pra fazer melhor do que o que existe, dava...

P.S.: Pensando melhor, dada a quantidade de gambiarra nesse mundo, melhor deixar os programadores de fora da definição da gramática. :P


Marcus Aurelius, 2013-03-01 10:28:37 -0300 #

Ah, o problema do ô vs. ó (e ê vs. é) existe realmente, mas isso é esquecer da floresta olhando pra uma árvore só. Não tem explicação lógica razoável para deixar a bagunça do argui vs. segui. Quem foi o gênio centenas de anos atrás que achou uma boa ideia colocar Us mudos depois de Q e G? O coitado do Q nunca é usado sem um U depois...

P.S.: essa definição só poderia ser feito por programadores bons como nós, né? :-D


Vítor De Araújo, 2013-03-01 16:00:04 -0300 #

O gênio que quis manter a ortografia parecida com a do latim (onde esses 'u's eram pronunciados). :P

O problema é que na transição do latim pro português "gui" [gwi] (ou quase) -> [gi], e "gi" [gi] -> [ʒi]. Ótimo, vamos mudar isso e usar "g" para [g] e "j" para [ʒ], e aí temos "gi" [gi] e "gui" [gwi] (ou [guj]; escolha suas armas). Mas agora "biolojia" e "biólogo" não compartilham mais um sufixo na escrita. Blé. :P Mas talvez nós possamos conviver com isso (afinal a gente já convive com "amigo" vs. "amizade")...

E a bagunça da ortografia nova com o "argui" vs. "argui" (sic) vs. "segui" eu não estava nem considerando digna da minha atenção, muito menos da minha aceitação. :P

P.S.: Ok, só os bons então, onde os bons são escolhidos por nós. :P


Vítor De Araújo, 2013-03-01 16:02:35 -0300 #

(P.P.S.: O programador bom aqui acabou de achar um bug na contagem dos comentários dos posts. :P)


Vítor De Araújo, 2013-03-01 16:50:34 -0300 #

Um bug muito triste, por sinal. Atualmente eu leio um comentário de cada vez, ao invés de ler tudo em memória antes de imprimir. O problema é que quando um comentário é postado, eu só posso salvá-lo depois de ter passado por todos os outros, pois se ele for duplicado eu tenho que retornar um erro para o usuário. Mas a essas alturas eu já imprimi todos os comentários e o header "Comentários (n)" antes deles. A solução menos gambiarrenta seria ler os comentários todos em memória antes de imprimir, mas isso no me gusta mucho...

Estou considerando seriamente trocar a mensagem de "Comentários (8)" para "Comentários (8½±½)" nesses casos :P


John Gamboa, 2013-03-02 00:00:41 -0300 #

Eu aprendi isso na escola. Meu professor -- apesar de muitos o odiarem -- era tri legal e ensinou assim:

Natural são paroxítonas terminarem em O, E, A, EM e respectivos plurais;
Resto é natural como oxítonas;
Todas as proparoxítonas são acentuadas.

E aí falava dos casos especiais...

Eu admito que gosto de "irregularidades", até. Acho bonitas (e não foi ninguém que me veio repeti-lo). Mas, sei lá, gosto delas em alguns casos em que não vejo solução. Coisas como "ideia" no lugar de "idéia", "rainha" no lugar de "raínha" (que, convenhamos, nos ajudaria a não ter de saber algo mais) ou a queda da trema me incomodam. Deixa tudo ambíguo.

Fico pensando: tá perigando que alguém num futuro distante me comece a dizer "pinguim" no lugar de "pingüim" ou "aguentar" no lugar de "agüentar". Acham que não vai acontecer? Quanta gente [mais velha, em geral] já não viram dizendo "entoXicar" ou "tóXico" com som de CH? Nada os impede: a escrita é a mesma, afinal v_v


John Gamboa, 2013-03-02 00:02:08 -0300 #

(aa... eee... aliás... é por causa dessa "naturalidade" do "O, E, A, EM" e seus respectivos plurais que "pólen" e "hífen" têm acento, apesar de "polens" e "hifens" não terem)


Vítor De Araújo, 2013-03-02 00:27:42 -0300 #

Blargh, nunca tinha me dado conta de que "hifens" não leva acento. Me tapei de nojo agora e acho que vou começar a escrever tudo em IPA. :P


Marcus Aurelius, 2013-03-02 09:34:05 -0300 #

Bom, quando não tem solução perfeita, é claro que tem que escolher uma das imperfeitas (e nesse caso manter a tradição é uma boa solução). O ruim é, mesmo havendo uma solução óbvia e simples, optar por algo bizarro, ambíguo e/ou inútil (como PH em palavras gregas, como o francês e o inglês fazem). E me corrijam se estiver errado, mas o H mudo já é mudo há mais de mil ou dois mil anos! Já passamos do período de transição, já jogamos fora várias outras tradições (como o PH, o s longo (aquele que parece um f sem o corte), etc.), já criamos letras novas no alfabeto: J e V, etc.

O problema do hífen se soluciona facilmente colocando um M no final e tirando o acento. Ficaria tudo sem acento: hifem, hifens, assim como item, itens. :-)

Biolojia e Biólogo não seria nada ruim, não. De vez em quando até surge um caso como circo × circense onde dá pra aproveitar o C, mas na maioria dos casos a gente tem que fazer uma troca pra manter o som: corrigir → corrijo, surgir → surjam, ficar → fiquei.

Aliás, me parece que a nova forma do argüi é arguí, como Chuí. Só não lembro se estava lendo uma discussão ou uma conclusão sobre o assunto.


Vítor De Araújo, 2013-03-02 12:37:05 -0300 #

Sobre o "hifem": me gusta.

Sobre c/qu e afins: ok, a nossa escrita "etimológica" não é muito etimológica. Mas eu não vejo essa reforma acontecendo e nem tenho ânimo de promulgá-la. Enfim...

Sobre "arguí": que bom que em nenhuma parte na Internet se menciona isso, mas o conjugador de verbos do Priberam concorda contigo, quando colocado na configuração de "depois do Acordo Ortográfico"...


Vítor De Araújo, 2013-03-02 20:02:08 -0300 #

Com alguma sorte daqui a duzentos anos a pronúncia das coisas vai estar tão diferente que qualquer ortografia baseada na atual vai falhar miseravelmente, e aí a galera vai ser obrigada a substituí-la por uma decente.

Ou não. :P


Marcus Aurelius, 2013-03-02 20:25:43 -0300 #

Ou a coisa desandaria no estilo do inglês ou francês...

Até o alfabeto fonético do francês está desatualizado! Onde vamos parar? :-o

http://fr.wiktionary.org/wiki/Annexe:Prononciation/fran%C3%A7ais#Changements_historiques


Vítor De Araújo, 2013-03-02 20:31:50 -0300 #

Hahahah, essa gente se puxa. :P

Ok, trocamos c/qu por k e s então? :P


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